Futuro da Groundforce continua a ser incógnita depois de falhar acordo

O acionista privado da Groundforce, que é maioritário, não pode dar as ações para obter um empréstimo de emergência para pagar salários porque estas já estão penhoradas.

Falhou o acordo entre o governo e a Groundforce que permitiria um empréstimo de emergência para que a empresa de handling pudesse pagar salários. O acionista privado -maioritário -, Alfredo Casimiro, não pode dar as ações como garantia para o empréstimo, uma vez que já se encontram penhoradas. Os trabalhadores mostram-se muito preocupados, não apenas com os salários - receberam apenas cerca de 500 euros cada um relativos ao mês passado - mas também com os postos de trabalho. O futuro da empresa é ainda incerto.

Os cerca de 2400 trabalhadores da Groundforce não receberam os salários relativos a fevereiro, como foi noticiado na semana passada. E desde então a situação da empresa de handling tem feito correr tinta. Alfredo Casimiro detém 50,1% da Groundforce, através da empresa Pasogal, e o remanescente do capital pertence à TAP. Fruto da forte quebra do transporte aéreo, as receitas da empresa de assistência de operações de terra também tiveram uma quebra. Desde novembro que a TAP tem feito adiantamentos à empresa, mas em fevereiro não avançou com mais dinheiro a troco da prestação de serviços.

A companhia aérea colocou em cima da mesa a possibilidade de um adiantamento, no valor de 2,05 milhões de euros, mediante a penhora das ações da Pasogal, de Alfredo Casimiro; o empresário recusou. Houve alguma troca de argumentos entre o governo e a Pasogal, o que levou o ministro Pedro Nuno Santos a convocar uma conferência de imprensa de emergência, onde deixou claro que o governo não pretendia nacionalizar a Groundforce, mas que a TAP (detida atualmente em 72,5% pelo Estado) não podia continuar "a fazer adiantamentos sem ter garantias". "Temos feito um trabalho importante para apoiar a Groundforce nos últimos meses", através do adiantamento de verbas por serviços ainda não prestados, mas "chegou um momento em que a TAP deixou de poder continuar a fazer adiantamentos", dizia então o ministro.

O governante explicou ainda que estava a ser preparada uma operação que envolvia um empréstimo de um banco privado, com uma garantia pública à Groundforce. Para haver essa garantia, como explicou Pedro Nuno Santos, as condições que seriam aplicadas eram as mesmas que a TAP já tinha pedido aquando da proposta de adiantamento de cerca de dois milhões de euros e que passavam pelas ações de Alfredo Casimiro. Depois de uma nova troca de argumentos, as partes sentaram-se à mesa das negociações durante o fim de semana e o acordo voltou a não ser possível. O acionista privado revelou que já tinha condições para dar os títulos da Pasogal como garantia para obter o apoio do Estado ao empréstimo, mas as ações já estão penhoradas e, como tal, não as pode dar como garantia para o empréstimo que seria contraído e que tinha como objetivo pagar salários.

A Comissão de Trabalhadores, que ontem se manifestou à frente da Assembleia da República, admitiu à Lusa que não conhece que caminho vai agora ser seguido para a companhia de assistência em terra, mas teme que se coloque a hipótese de insolvência da Groundforce. "O nosso receio é esse, é em vez de estarmos a lutar pelo salário já estarmos a lutar pelo posto de trabalho", afirmou João Alves, elemento da Comissão de Trabalhadores.

A SIC Notícias chegou a avançar durante o dia de ontem que o governo admite nacionalizar a Groundforce, perante a iminência de falência da empresa. Uma informação que não foi confirmada pelo executivo.

A TAP, além de acionista da Groundforce é também cliente. Neste primeiro trimestre, a companhia está operar em níveis muito baixos. Contudo, e à medida que o desconfinamento começa a dar passos mais seguros, quer em Portugal quer no resto da Europa, a expectativa é que haja um aumento do tráfego aéreo, o que significará também um aumento da procura por serviços da Groundforce. Apesar de neste ano, as estimativas internacionais apontaram para níveis bem abaixo dos níveis de 2019, o ano deverá ser melhor que 2020. A IATA tem defendido que espera "ver melhorias no segundo semestre de 2021 depois de um primeiro semestre difícil".

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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