Famílias gastaram mais 125 milhões nos supermercados até março

No trimestre em que Portugal confinou e reabriu, os consumidores despenderam mais 5,5% do que há um ano. Compraram mais alimentos e bebidas e menos produtos de higiene.

Com os restaurantes a funcionar apenas com entregas e take-away os portugueses encheram os cabazes nos supermercados com mais produtos alimentares e muitas bebidas. Nos primeiros três meses do ano, as vendas de bens de consumo subiram 5,5%, para 2,4 mil milhões de euros. Ou seja, gastou-se nos supermercados mais 125 milhões do que há um ano. Mas a reabertura faseada da economia em março levou a uma descida de 5,1% nos gastos dos consumidores, para 818,8 milhões de euros, quando comparado com março do ano passado, segundo dados do ScanTrends da NielsenIQ. Feitas as contas, no mês do início do desconfinamento gastou-se menos 43,6 milhões de euros do que em igual mês do ano passado.

"É o primeiro período em que estamos a comparar vendas face a um período homólogo já em contexto de pandemia", explica Ana Paula Barbosa, retailer vertical director da NielsenIQ. "Em março de 2020, os portugueses começaram a preparar-se para o primeiro estado de emergência, houve uma corrida aos supermercados e as vendas de bens de grande consumo cresceram 26%. O facto de estarmos a decrescer face a esse histórico tão atípico era expectável. Aliás, se compararmos com o mesmo período de 2019, estamos 19% acima", refere a responsável da empresa de estudos de mercado.

Bebidas sobem 20,7%

Mas, se em março as vendas recuam, no acumulado dos três primeiros meses do ano é visível o impacto do novo recolhimento dos portugueses em casa a partir de meados de janeiro. Em fevereiro gastaram 801,4 milhões em compras - mais 81,9 milhões do que fevereiro de 2020 - valor que sobe para mais 818,8 milhões em março. Tudo somado, no trimestre encheu-se o carrinho com 2412 milhões de euros em produtos, uma subida de 5,5%, com as marcas de fabricante a registaram uma subida de 5,9%, acima dos 4,7% das marcas de distribuição.

Um aumento de consumo que não foi uniforme em todas as categorias. Com que encheram a despensa os portugueses? "No trimestre a alimentação cresce 5,4%, as bebidas são as categorias mais dinâmicas, com um crescimento de 20,7%; higiene do lar perde 1,8% (mas era a categoria mais dinâmica no 1º trimestre de 2020) e a higiene pessoal, que é a categoria que sofre mais o impacto do confinamento, recua 8,1%", descreve Ana Paula Barbosa.

Na alimentação, os congelados (+9%), mercearia (+7%) e laticínios (+0%) estão menos dinâmicos face ao trimestre homólogo. Já nas bebidas o crescimento é visível nas não-alcoólicas (+5%), mas sobretudo nas alcoólicas que disparam 31%.

O que se comprou em março?

Desempenho que reflete a quebra de consumo de bens no supermercado em março quando comparado com o comportamento dos consumidores há um ano. Depois de um período homólogo que crescia 30,8% em 2020, a categoria alimentação decresce 8%, com as marcas da distribuição a recuar 9,1%, acima dos 7,1% das de fabricante. Mas a maior descida é a registada pela categoria higiene pessoal: cai 18,9% face ao período homólogo, com os portugueses a comprar menos 27,2% produtos de marca do super, do que os de fabricante, cujas vendas recuam 15%.

Evolução negativa que também é evidente nos produtos para a higiene do lar: vendas diminuem 15,9%, com as marcas da distribuição (-15,2%) a decrescer de forma semelhante às marcas de fabricante (-16,3%).

O que não faltou no carrinho do supermercado foram bebidas. Foi a única categoria a crescer tanto em março, como no trimestre, destaca o ScanTrends. As "bebidas apresentam um crescimento de 30,2% nesta quadrissemana, sobre um período homólogo que já estava muito dinâmico. As marcas de fabricante e as marcas da distribuição crescem a ritmos semelhantes", refere o estudo da NielsenIQ.

ana.marcela@dinheirovivo.pt

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