Empresas vão voltar a contratar. Sobretudo na indústria e tecnologia

Três em cada quatro empresas querem contratar em 2016, motivadas pela saída da troika e a queda da taxa de desemprego. Os salários deverão manter-se quase inalterados, mas há uma tendência de aposta em benefícios

O próximo ano será de recuperação para o mercado de trabalho, sobretudo no setor industrial e na tecnologia, antecipam as recrutadoras. A saída da troika de Portugal e as quebras que têm sido registadas na taxa de desemprego, aliadas à necessidade de reforçar as equipas reduzidas a "mínimos funcionais" durante o período mais agressivo da crise, são as razões apontadas para o otimismo das empresas portuguesas.

A indústria e a tecnologia são os setores referidos por todas as recrutadoras a que o DN/Dinheiro Vivo perguntou onde se vai contratar mais em 2016. No caso da indústria, as empresas procuram profissionais responsáveis por manutenção, produção e logística. Já na tecnologia, as profissões mais procuradas estão relacionadas com tecnologias de informação (programadores de Java e .Net, administradores de sistemas ou big data, por exemplo), gestão de negócios online e apoio técnico.

Mas há mais: a recrutadora Adecco salienta a bioengenharia como um dos setores mais dinâmicos, bem como o setor petrolífero, embora este último tenha uma ressalva: "Este recrutamento é sobretudo numa vertente de mobilidade internacional, são procurados engenheiros portugueses para trabalhar fora do país", explica Tiago Costa, diretor de unidade Professional da Adecco Portugal. Já a Hays destaca a procura de chefes de cozinha.

A evolução do mercado de trabalho será sem dúvida positiva. "A tendência encontra-se em subida no que diz respeito a ofertas de trabalho. Isso deve-se a uma ideia de início de estabilidade financeira pela saída da troika e de alguma recuperação na taxa de desemprego", justifica Tiago Costa. "Muitas equipas tinham sido reduzidas a mínimos funcionais durante o período mais acentuado da crise de modo a otimizar custos. Assim que se verificou uma ligeira melhoria na economia, as empresas sentiram necessidade de voltar a reforçar as suas estruturas e a apostar no crescimento das equipas", acrescenta Marisa Duarte, team leader da Hays Response.

Apesar das melhorias no contexto económico, as condições laborais mudam pouco. A maioria dos contratos oferecidos é a tempo inteiro e a termo certo, embora haja algumas entradas diretas para os quadros, no caso de quadros médios, diz Nuno Troni, diretor de recrutamento da Randstad. O trabalho temporário continua a ser prática recorrente sobretudo nas unidades fabris e cada vez mais entre jovens qualificados. Ainda assim, diz Marisa Duarte, há "uma tendência para apostar em benefícios para compensar a ausência de incrementos salariais significativos nos últimos anos".

No lado da contração estão a construção e o retalho e a distribuição. Estes setores não só não vão contratar - ou vão mesmo despedir - como são os que pagam pior.

Três em quatro querem contratar

No próximo ano, três em cada quatro empresas preveem recrutar, um número superior ao deste ano, refere Nuno Troni. As previsões da Ranstad estão em linha com as que constam do estudo "Workforce + Pay 2016" elaborado pela Korn Ferry Hay Group. A consultora aponta que 76,3% das empresas portuguesas querem contratar novos colaboradores para os quadros no próximo ano. "Com o crescimento das exportações e um aumento da procura, as empresas procuram reforçar os seus quadros com colaboradores que assegurem as áreas produtivas", justifica Miguel Albuquerque, diretor de produtos e serviços do Hay Group. "Por outro lado, a necessidade de escoar produtos, bem como o aumento da competitividade do mercado, leva a que as empresas reforcem as equipas comerciais", acrescenta.

Salários reais ficam estagnados

2016 deverá ser também um ano de aumentos salariais, mas serão aumentos "mais modestos do que os que se verificam no resto dos países europeus", refere Nuno Troni. Isso mesmo mostra o estudo da Korn Ferry. Os trabalhadores portugueses deverão conhecer um aumento salarial médio de 1,3% no próximo ano, quando a média europeia é de 2,8%. Contudo, com a inflação média dos últimos 12 meses fixada em 0,39% (segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística relativos a novembro), o aumento real dos salários em Portugal será praticamente inexistente: 0,4%. Já na Europa o aumento real será de 2,3%. A consultora justifica os aumentos pouco significativos com a ausência de um Orçamento do Estado para 2016, que gera um clima de incerteza.

O setor da energia está no topo dos que pagam melhor, com salários-base 17% superiores à média nacional e uma remuneração total superior em 21%. No lado oposto a distribuição e o retalho, com salários 15% abaixo da média, e a construção, que paga cerca de 12% abaixo da média.

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