Empresas do gás e luz pagam, em média, mais 1800 euros do que os call centers

Remunerações mais baixas são os que mais sobem desde há quatro anos, mas continuam a larga distância das profissões que melhor pagam.

A diferença que separa, por exemplo, um trabalhador de um call center ou da limpeza de um funcionário ao serviço de uma empresa de distribuição de eletricidade e gás é de mais de 1800 euros por mês quando se tem em conta os salários médios brutos em cada setor. Num extremo, o salário médio antes de impostos nas atividades administrativas e serviços de apoio está nos 655 euros; no outro, a média é de 2521 euros.

As diferenças constam dos últimos valores publicados pelo INE sobre remunerações brutas, referentes a setembro, com base em declarações à Segurança Social e nos registos de remunerações da Caixa Geral de Aposentações. Cobrem 4,2 milhões de trabalhadores e colocam o salário médio português nos 1039 euros, com mais 181 euros em complementos e subsídios, como o 13.º mês.

A ilustrar os mais baixos e mais altos valores estão médias que nada dizem sobre o que serão, por exemplo, as diferenças entre um gestor e um operacional de uma empresa em cada setor. Mas mostram uma forte concentração do emprego nos salários mais baixos. Por cada um dos 35 mil funcionários cuja média salarial chega aos 2521 euros há quase dez vezes mais pessoas a ganhar dentro da média de 655 euros.

2,5 milhões colados ao mínimo

O salário médio português vale ainda mais 439 euros que o salário mínimo, que está este ano em 600 euros. Mas mais de metade dos trabalhadores tem o salário médio na sua área de atividade quase colado ao salário mínimo - isto é, os 600 de retribuição mínima legal representam mais de 60% do valor das remunerações médias. São nove os setores onde isso acontece, e empregam mais de 2,5 milhões de trabalhadores.

É o caso dos trabalhadores administrativos e em serviços de apoio, cuja média está nos 655 euros, um salário apenas 8% acima do mínimo legal. Mas também dos trabalhadores dos hotéis e restaurantes (com uma média salarial nos 688 euros), dos trabalhadores agrícolas (694 euros), da construção (790 euros), do comércio (890 euros), das imobiliárias (899 euros), da indústria (939 euros) e das empresas de águas e tratamento de lixo (960 euros). Em todos estas atividades o salário mínimo representa mais de 60% da remuneração bruta média.

O peso do salário mínimo neste setores é apenas esbatido com recurso aos subsídios e complementos, que nos casos dos serviços de apoio, comércio e indústria garante um impulso de mais de 20% às remunerações regulares.

Onde o salário médio mais se distancia do mínimo é nas empresas de gás e eletricidade (nos 2521 euros de média), banca e seguros (2088 euros), professores (1649 euros), telecomunicações, tecnologias de informação e atividade editorial (1635 euros), funcionários públicos e da Defesa (1393 euros), transportes e armazenagem (1230 euros), consultoria técnica e científica (1207 euros), pedreiras e minas (1201 euros), saúde (1033 euros) e atividades que vão das artes ao desporto (1028 euros).

Os dados do INE mostram ainda que a maior subida ao longo dos últimos quatro anos é assegurada em áreas com os mais baixos salários: agricultura, pesca, florestas e indústrias transformadoras, em conjunto, viram a remuneração média crescer 11% para 915 euros. Na generalidade dos serviços, o salário médio regista uma subida de quase 8%, ascendendo a 958 euros, com destaque para a restauração e alojamento, com uma subida de 13,8% neste período. Já no setor público - entre funcionários do Estado, câmaras municipais, professores, médicos e enfermeiros - a média salarial está nos 1327 euros, aumentando quase 7% desde setembro de 2015.

jornalista do Dinheiro Vivo

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