Em cada cem euros de crédito, 13 estão em risco

Mais de um quinto dos empréstimo às empresas pode não ser pago

O rácio de crédito em risco bateu um novo recorde em setembro. A banca tem 12,9% do crédito total em risco de entrar em incumprimento, de acordo com o relatório da evolução trimestral do sistema bancário português, divulgado ontem pelo Banco de Portugal (BdP).

Na prática, por cada cem euros de empréstimos a empresas e particulares, 12,9 euros estão em risco. Este montante representa uma ligeira subida quando comparado com valores de final de junho (12,6 euros de crédito em risco) e equivale a uma subida de um ponto percentual face a setembro do ano passado. Em março de 2010 - primeiro indicador da série estatística do BdP -, o crédito em risco fixava-se em 5,4% do total.

Este rácio foi imposto pela troika e engloba não só o valor total do crédito que tenha prestações ou juros vencidos por um período igual ou superior a 90 dias mas também os descobertos bancários. Também estão incluídos neste rácio os créditos reestruturados e os financiamentos sobre os quais exista evidências de haver risco, como falência ou liquidação do devedor.

A qualidade do crédito continua a ser uma das preocupações do setor. E, apesar de o rácio ter aumentado em todos os segmentos, o risco é mais elevado nos empréstimos às empresas. Por cada cem euros de crédito concedido a empresas, 21,7 euros estão em risco. Já entre os particulares o rácio aumentou de 16,4% em junho para 17,4% do total de empréstimos concedidos para consumo e outras finalidades. Por sua vez, na habitação, o indicador é mais baixo e sofreu o menor aumento: de 6% para 6,1% em três meses. Este valor justifica-se porque o crédito da casa é o último que tradicionalmente os portugueses deixam de pagar, quando confrontados com dificuldades financeiras. Já de acordo com os dados do último Boletim Estatístico do Banco de Portugal, 9,26% do crédito total estava em cobrança duvidosa.

Apesar do agravamento da qualidade dos ativos, há indicadores positivos, como a rendibilidade do sistema bancário. "Em termos homólogos, a melhoria dos resultados resultou essencialmente da redução do fluxo de imparidades e provisões", justifica o supervisor bancário. Para o setor financeiro, o aumento dos níveis de rendibilidade é uma das principais prioridades para 2016. Para esta evolução contribuiu a redução expressiva das imparidades e de outros custos, lê-se no relatório.

Entre junho e setembro de 2015, o ativo do sistema bancário português reduziu-se em 2,3%, prosseguindo uma trajetória descendente, determinada pela redução do crédito a clientes. No que se refere à solvabilidade do sistema bancário, o rácio estabilizou no terceiro trimestre, em 12,5%. O rácio entre o capital Tier 1 e o ativo total continua acima de 7%. No próximo relatório do sistema será incluída a informação sobre o impacto da venda do Banif ao Santander Totta como medida de resolução.

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