E que tal uns travel mocassins para guardar na mala?

Atlanta Mocassin, marca portuguesa com 30 anos, lançou um novo conceito de sapatos de viagem em parceria com a revista Monocle. São ajustáveis no pé e dobram-se ao meio

Acomodar tudo numa mala de viagem pode parecer uma tarefa inglória, sobretudo para quem viaja com pouca bagagem. A pensar nisso, a Tabitus, empresa japonesa especializada em artigos de viagem, desafiou a portuguesa Atlanta Mocassin a criar um par de sapatos, extraconfortáveis, mas que pudessem ser dobrados para não ocupar muito espaço. Assim nasceram os travel mocassins, que foram um sucesso tal no Japão e que a empresa decidiu promovê-los na Europa em parceria com a revista inglesa Monocle.

Fabricados com peles naturais, "de qualidade superior", sola de borracha antiderrapante e com uma palmilha de conforto removível, os sapatos são "ajustáveis ao pé" para garantir um conforto extra. São vendidos com uma pequena bolsa, para que possam ser dobrados e guardados na mala de viagem ou, até, nas carteiras das senhoras para recurso em SOS num final de casamento ou evento similar que obrigue a longas horas com sapatos desconfortáveis. Com preços que variam entre os 120 e os 130 euros, os travel mocassins estão já à venda na loja online da marca com versões distintas para homem e senhora.

A marca Atlanta foi criada em 1987 e só mais tarde, com a especialização da empresa no segmento mocassin, é que o termo passou a constar da própria marca. Foi nos anos 1990 que este tipo de calçado teve o seu período de glória na moda e, perante as enormes solicitações dos clientes, a Atlanta acabou a focar-se quase exclusivamente no seu fabrico. Primeiro no segmento de homem, depois também para senhora e mais tarde incluiu a gama de criança e até de bebé. Hoje, os sapatos da Atlanta Mocassin estão disponíveis em 33 tamanhos, do 15 ao 47, permitindo calçar com sapatos iguais mães e filhas ou pais e filhos. "O conceito fully family acompanha-nos desde sempre e é um nicho de mercado muito interessante", reconhece Luís Almeida, fundador da empresa. Certo é que o segmento de bebé e criança vale hoje metade do volume de negócios da Atlanta Mocassin.

A marca é propriedade da Portocouro, uma empresa criada por Luís Almeida e a mulher, naturais de São João da Madeira e portanto ligados desde sempre à indústria do calçado. E embora a empresa não tenha unidade industrial, é responsável por toda a criação e desenvolvimento das coleções, pela compra dos materiais e pela subcontratação da produção a fábricas de Felgueiras e São João da Madeira.

"Há uma fábrica que só produz Atlanta Mocassin há 15 anos e, depois, há mais quatro ou cinco onde, pontualmente, colocamos encomendas, consoante as necessidades", explica o empresário. Que faz questão de frisar sempre que a Atlanta Mocassin é uma marca handmade in Portugal. "Quando começámos ainda não era muito importante dizer-se que o fabrico era nacional. Hoje cada vez mais é valorizado o produto made in Portugal, o que é um motivo de grande orgulho", diz.

A Atlanta Mocassin exporta cerca de 95% da sua produção, que está quase nos cem mil pares ao ano, para 30 países em todo o mundo. Só os Estados Unidos asseguram metade das vendas da marca. Além disso, destaque para a Europa, a Rússia e o Japão. A verdade é que a marca tem posicionamentos distintos nos diferentes mercados. "No Japão vendemos sobretudo calçado de homem. Nos Estados Unidos é maioritariamente de criança", refere Luís Almeida. O preço dos sapatos Atlanta Mocassin para adultos vão dos 120 aos 160 euros. Nos Estados Unidos, os artigos de criança da marca portuguesa são vendidos à volta dos 120 dólares (qualquer coisa como 101 euros).

O Japão e os Estados Unidos são, na verdade, as grandes apostas da Atlanta. "Há sempre novos mercados para conquistar, mas continuamos a investir fortemente no Japão, pelo seu enorme potencial no calçado para adultos, e nos Estados Unidos porque, embora sendo já o nosso principal comprador, estamos ainda muito concentrados em Nova Iorque. Queremos ir para outros estados, em especial para a costa leste", sublinha.

Mas os gostos do consumidor têm vindo a mudar, o que levou a empresa a procurar diversificar a sua oferta, introduzindo sneakers, ballerinas e casual. "Como marca, temos de acompanhar as tendências de mercado e a procura. As novas linhas facilitam-nos a entrada em novos clientes que não querem mocassins", diz Luís Almeida. Seja qual for o tipo de artigo que fabricam, os materiais "são sempre de elevada qualidade e procuramos, sempre privilegiar os fornecedores nacionais", frisa.

Além do lançamento dos travel mocassins, a empresa tem já preparados outros lançamentos, mas sobre os quais não levanta, para já, o véu. "Nos dias de hoje é preciso inovar em permanência, estar sempre a apresentar coisas diferentes", refere o empresário.

A costumize table, por exemplo, é uma das inovações da Atlanta Mocassin com enorme sucesso no Japão, embora na Europa nem tanto. Como o nome indica, a costumize table permite ao cliente construir o seu próprio sapato, desde a escolha das peles e respetivas cores até às próprias costuras. Na verdade, a escolha pode não se revelar assim tão fácil, atendendo a que são cinco os modelos que podem ser personalizados, e há 48 cores para escolher e conjugar e 144 opções de peles diferentes!

"No Japão, os nossos agentes fazem, com regularidade, campanhas nos grandes department stores, onde têm a mesa em exposição e os clientes criam o seu próprio sapato e recebem-no no prazo de 30 dias. Mas isto na Europa ou nos EUA é difícil, os consumidores não estão disponíveis para esperar 30 dias", explica Luís Almeida. Na Europa e nos EUA, a empresa usa a mesa customizada para que os lojistas possam criar a sua própria coleção.

As vendas online da Atlanta Mocassin são ainda residuais - não valem mais de 5% da faturação da empresa que, em 2016, se situou nos dois milhões de euros -, mas 90% destas encomendas são entregues no prazo de cinco dias. "Fabricamos à medida que recebemos os pedidos. Mas nestas iniciativas no Japão é entendido que mais vale juntar as encomendas todas ao longo da semana da campanha e enviá-las de uma vez só", refere.

› Exportação
É a parte da produção que é exportada. O mercado norte-americano assegura metade das vendas.

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