Dois terços dos voos de Lisboa ficaram em terra com a greve da Groundforce

Além da TAP, todas as companhias de bandeira viram-se obrigadas a cancelar voos no maior aeroporto do país. Turismo já apela à requisição civil nas próximas greves

Ficaram em terra cerca de dois terços dos voos ontem programados de e para Lisboa. A greve dos trabalhadores da Groundforce teve ainda mais impacto nas operações do que na véspera embora tenha havido menos confusão no aeroporto da Portela. No Porto, a paralisação afetou 20% das ligações previstas. O setor do turismo já apela à requisição civil, porque a próxima paragem está prevista para os dias 31 de julho, 1 e 2 de agosto.

O aeroporto Humberto Delgado tinha um total de 515 voos previstos para ontem, entre partidas e chegadas. Até às 18.30, já era possível ler a palavra "cancelado" junto a 321 dessas ligações; ou seja, 62,3% das viagens foram anuladas nas últimas 24 horas no segundo dia da greve, de acordo com as contas do Dinheiro Vivo feitas a partir do portal da ANA-Aeroportos de Portugal, entidades que gere esta infraestrutura. É possível que nos dois dias de protesto os cancelamentos tenham superado os 600 voos.

Além da TAP, a paragem afetou todas as companhias de bandeira que utilizam este aeroporto: Iberia, British Airways, Air France, Vueling, Lufthansa e Azores Airlines foram alguns dos exemplos. Pelo contrário, quem viajou pela Ryanair, Easyjet e Turkish Airlines não teve qualquer problema.

O impacto no Porto foi mais reduzido: dos 195 voos de ida e de volta programados, 37 não foram realizados; ou seja, cerca de 20% das ligações foram canceladas. Tal como em Lisboa, quem tinha comprado bilhetes para as low-cost pôde seguir viagem sem problema.

Ontem, o ambiente foi mais calmo nos aeroportos de Lisboa e do Porto porque os passageiros consultaram a informação disponibilizada na página da ANA. Ao aperceberem-se de que o voo estava cancelado, nem tiveram de se deslocar para o terminal.

Mesmo com uma acalmia aparente neste domingo, o impacto não se fez sentir apenas na vida dos passageiros. Segundo Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), é todo um setor - um dos mais afetados pela pandemia - que está a ser novamente prejudicado, pelo que defende, por um lado, o recurso "à requisição civil" e, por outro, que os trabalhadores e a administração da empresa cheguem a um acordo a tempo de prevenir efeitos semelhantes nos dias das próximas greves já agendadas e assim pôr cobro à imagem negativa que se está a passar do país.

"Não podemos, de maneira nenhuma, vir a ter mais mil voos cancelados em 31 de julho e 1 e 2 de agosto. O direito à greve está constitucionalmente previsto, mas isso não pode prejudicar milhares e milhares de pessoas e prejudicar como está a prejudicar a imagem do país. Sou apologista de qualquer medida que evite que se venha a repetir algo que já vai dar uma imagem muito negativa de Portugal. Se necessário for uma requisição civil, que seja feita", sustentou Francisco Calheiros, em declarações à TSF.

Questionou, ainda: "Alguém já teve o trabalho de calcular os custos de tantos voos cancelados? Os custos em testes que se fizeram? As indemnizações que se vão ter de dar? Se pusermos 150 pessoas em cada voo, as 10 mil pessoas que deixaram de viajar, de vir para cá e de consumir em Portugal? E, sobretudo, qual é a imagem que estamos a transmitir do nosso país?"

Já na véspera, o presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, tinha dito tratar-se de uma "vergonha" o que se estava a passar nos aeroportos portugueses. "Alguém faz uma pequena ideia do que é que a nossa concorrência enquanto destino turístico está já a fazer nas redes sociais, à conta da vergonha que se está a passar nos nossos aeroportos?"

Lembrando que o pretexto da greve é uma questão salarial, Pedro Costa Ferreira argumentou que os trabalhadores também têm direito aos seus salários, tendo em conta que o verão é das "únicas oportunidades para o setor, com agravante de "não será melhor que o do ano passado".

Além disso, citado pela Lusa, levantou ainda o problema dos reembolsos dos voos cancelados, lamentando que as companhias aéreas "não respeitem" o direito a esse reembolso.

André Teives, presidente do Sindicato dos Técnicos de Handling de Aeroportos (STHA), a estrutura que convocou a greve, disse ontem não ter recebido qualquer contacto, no sentido de encontrar uma solução.

A TAP apresentou uma proposta à Groundforce para o pagamento de salários e subsídios de férias, mas a empresa de serviço de bagagens recusou.

Jornalistas do Dinheiro Vivo

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