Dez anos a fazer crescer o empreendedorismo

Countdown to Web Summit 2022 com Teresa Fiúza, executive vice president da Portugal Ventures.

A 27 de junho de 2012 nasceu a Portugal Ventures, Sociedade de Capital de Risco (Venture Capital), de capitais maioritariamente públicos, com a missão de fazer crescer o empreendedorismo em Portugal (e em português!), suprindo necessidades de mercado que não estavam a ser satisfeitas pela iniciativa privada.

Em 2012, Portugal representava 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia. No entanto, a contribuição para o investimento em Venture Capital era substancialmente menor: 0,1% do número de transações e 0,06% do montante das mesmas. O ecossistema empreendedor ainda não estava suficientemente desenvolvido para atrair capital de risco, tanto português, como estrangeiro, limitando assim o crescimento das startups portuguesas, que encontram neste tipo de instrumento a sua maior possibilidade de nascer e de se afirmarem, uma vez que a sua falta de histórico não lhes facilita o acesso a financiamento bancário.

Nos últimos dez anos, Portugal cresceu 13% ao ano em número de transações e 54% em valor, colocando-se assim no mapa do empreendedorismo europeu. E isso deve-se em grande medida aos empreendedores, que todos os dias ultrapassam obstáculos, dão o melhor de si e não desistem, focados na missão de fazer avançar o Mundo.

A Portugal Ventures contribuiu com 181 milhões de euros de investimento e 190 novas startups no seu portefólio, empresas essas que exportam para os quatro cantos do mundo, que criaram 2662 postos de trabalho, 165 patentes e cuja faturação correspondeu a 0,12% do PIB português em 2021.

2012 foi um ano de elevada recessão e 2022, por outras razões, está igualmente a ser um ano desafiante: em termos de captação e retenção de talento, de subida da inflação, de aumento das taxas de juro, da quebra nas cadeias de abastecimento provocada pela guerra na Ucrânia.

Existe hoje uma crise de confiança, motivada pela imprevisibilidade, que está a afetar decisões de investimento, que se vão adiando, e a aumentar o nível de seletividade de Venture Capital (VC). E este pode ser um desafio. Mas todas as crises encerram em si oportunidades: Portugal pode e deve apostar na inovação, criatividade e dinamismo da sua economia! Pode fazer com que o empreendedorismo em português seja grande em Portugal, não tendo de atravessar fronteiras para granjear o investimento necessário.

Portugal pode e deve apostar na inovação, criatividade e dinamismo da sua economia!

Em termos relativos, Portugal concentra a atividade de VC em estágios mais iniciais. A falta de investimento em fases de crescimento (séries B-E) é notória, principalmente no volume de transações.

O investimento em fases de crescimento (Growth Capital) em startups portuguesas representa 50% do valor transacionado, mas este é realizado por entidades estrangeiras. Este fenómeno contribui para a maior dificuldade em reter valor em território nacional nos casos de maior sucesso.

Para que tal seja possível, é necessário dotar o ecossistema de fundos de capital de risco em fases de crescimento (Growth Capital), contribuindo para colmatar uma falha de mercado: a de escassez de capital para escalar os negócios até à maturidade. Serão necessários fundos de maior dimensão e com participações (tickets) mais ambiciosas, que permitam acompanhar rondas de investimento mais avançadas, em startups de raiz portuguesa e que, assim, possam ver reunidas as condições para permanecerem em Portugal.

O investimento público nunca será suficiente, mas é fundamental para partilhar risco e mobilizar o investimento privado, devido ao seu efeito multiplicador. Esse é o desafio para a Portugal Ventures nos próximos 10 anos!

Nova rubrica

Countdown to WebSummit 2022 é uma nova rubrica no Diário de Notícias que antevê algumas das tendências que vão marcar o próximo encontro mundial das startups no final de outubro, em Lisboa. Até à semana do evento, estarão em análise as oportunidades e os desafios dos investidores, os exemplos inspiradores e as novidades que vão marcar a agenda dos empreendedores nacionais e mundiais. O palco passa por aqui, com a reflexão de especialistas numa nova série de artigos de opinião. O artigo hoje publicado tem a assinatura de Teresa Fiúza, executive vice president da Portugal Ventures.

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