Depois do "Ronaldo do Ecofin", o Mourinho das Finanças

Ricardo Mourinho Félix vai representar Portugal nas reuniões do Eurogrupo, onde Centeno estará como presidente. O ministro deverá delegar dossiês para ocupar a nova função

Mário Centeno deverá reunir-se em breve com os seus secretários de Estado para proceder a uma reorganização de funções nas Finanças. O objetivo será delegar alguns dossiês que tem em mãos para poder acomodar na sua agenda as novas funções como presidente do Eurogrupo. Mas ainda nada está definido, apurou o DN/ /Dinheiro Vivo.

Para já, Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado adjunto do Tesouro e das Finanças, vai substituir Mário Centeno nas reuniões dos ministros das Finanças do euro, em representação de Portugal. É um desafio que encaro com bastante vontade, como o desafio de assumir as funções que assumo hoje. Participo nas reuniões do Eurogrupo desde o início, enquanto alternante do ministro e, dada a configuração do Eurogrupo, sempre participei nas reuniões. Portanto, não é nada de novo do ponto de vista de conhecer essas reuniões, afirmou. Sendo Mourinho Félix secretário de Estado adjunto é visto como natural que possa passar a ser responsável por dossiês que o ministro tinha até agora.

Em entrevista ao DN, a 15 de outubro deste ano, quando questionado sobre se teria de haver um reforço da sua equipa ministerial, se fosse eleito presidente do Eurogrupo, Mário Centeno afirmou que teria de pensar nessa dimensão. Isto porque seria uma maldade deixar mais trabalho para os seus secretários de Estado. É evidente que o lugar de presidente do Eurogrupo retira tempo a quem o ocupa, retira parte da sua atenção para um conjunto de tarefas, admitiu.

Além de Mourinho Félix, a restante equipa do Ministério das Finanças é formada pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, e pelo secretário de Estado do Orçamento, João Leão. Se não for reforçada a equipa, estes secretários de Estado poderão também receber novas responsabilidades.

Fonte oficial do Ministério das Finanças não comenta o tema até porque o ministro acaba de ser eleito presidente do Eurogrupo. Mas é dada a garantia de que a execução do Orçamento do Estado não está posta em causa e que Mário Centeno não vai deixar de ser o ministro das Finanças de Portugal.

O DN/Dinheiro Vivo sabe que Centeno não vai ter um reforço de equipa a nível europeu para desempenhar o novo cargo, sendo a composição do seu gabinete determinada a um nível nacional. Também não vai auferir qualquer remuneração pela posição. Contudo, terá direito a um gabinete para as reuniões que irá presidir e ainda um carro de serviço. Também ser-lhe--ão reembolsadas as suas despesas de viagem e de representação - até ao máximo anual de 50 mil euros e cinco mil euros, respetivamente.

Mário Centeno terá de se deslocar a reuniões do Eurogrupo pelo menos uma vez por mês e poderá ter de viajar para países onde seja necessário ter alguma reunião ou gerir alguma crise. É o caso da Grécia, que está sob o terceiro programa de ajuda financeira externa, de onde deverá sair em 2018.

Centeno foi eleito presidente do Eurogrupo no dia 4 de dezembro e assume funções a 13 de janeiro de 2018, substituindo o holandês Jeroen Dijsselbloem, que foi o segundo a ocupar o cargo.

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