Da abertura às 06h30 ao recuo total. O que fez Pingo Doce mudar de ideias?

O grupo Jerónimo Martins voltou atrás na decisão de antecipar o horário das lojas Pingo Doce. Porque é que gerou "uma controvérsia nacional", como os próprios reconhecem?

Porque é que o grupo Jerónimo Martins decidiu fazer uma "alteração extraordinária" das lojas Pingo Doce, antecipando para as 06.30 o horário de abertura nos próximos dois fins de semana?

Foi a reação a uma decisão no âmbito do Estado de Emergência e que limita a circulação em determinados concelhos nos próximos dois fins de semana entre as 13:00 e as 05:00. Essa lista de concelhos foi atualizada esta quinta-feira e passa a incluir 191.

A proibição de circulação abrangia os supermercados?

Não. Não abrangia os "estabelecimentos de venda de produtos alimentares e de higiene, para pessoas e animais (Decreto-lei 8/2020, artigo 3 º, alínea d))

Então, porque é que o Pingo Doce decidiu antecipar a abertura das lojas para as 06:30?

O grupo Jerónimo Martins justifica: "A intenção era a de contribuir para evitar a concentração de clientes no período da manhã, facilitando o desfasamento das visitas numa altura em que a situação epidemiológica no país aconselha toda a prudência".

O que é que aconteceu?

Vários dirigentes partidários e autárquicos consideram tal atitude "um abuso" com a desculpa da pandemia. A primeira voz discordante foi a do presidente da Área Metropolitana do Porto (AMP), Eduardo Vítor Rodrigues, que pediu que o Governo que se pronunciasse sobre os horários das superfícies comerciais aos fins de semana. Considerou que "decisões individuais" põem em risco o espírito das regras e o seu cumprimento. Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, também pediu ao governo medidas para travar aquilo a que classificou de "abuso".

A Área Metropolitana de Lisboa (AML) também reagiu?

Sim, os presidentes dos 18 municípios da área metropolitana de Lisboa, "acordaram em não permitir a abertura antecipada dos supermercados durante os próximos dois fins de semana, em que vigorará o estado de emergência (...)".

Qual foi a reação dos autarcas?

Os presidentes das autarquias de Cascais e de Lisboa proibiram a antecipação dos horários para antes das 08:00 e, segundo notícias vindas a público durante esta quinta-feira, também os responsáveis por Vila Nova de Gaia, o presidente da AMP, e de Matosinhos preparavam-se para tomar a mesma posição.

Porque é que o grupo Jerónimo Martins recuou na antecipação dos horários?

Confessa que não esperava esta reação e justifica: "Face às múltiplas interpretações, também de implicação política, que têm vindo a ser feitas e veiculadas ao longo das últimas horas e ao nível da discussão pública gerada".

O que acontecia se não tivesse havido recuo?

Não poderiam abrir às 06:30 à mesma, porque o primeiro-ministro António Costa, anunciou ao fim do dia desta quinta-feira na sequência da reunião do Conselho de Ministros, que "todos os estabelecimentos" estão proibidos de abrir antes das 08:00, à exceção dos que já praticam este horário, como padarias e bombas de gasolina. E, foi mais longe, proibiu a abertura das lojas de venda de alimentos com mais de 200 m2 ou que não tenham porta aberta para a rua.

O que é que fizeram as outras cadeias de hiper e supermercados?

O DN contactou os vários grupos que nos informaram praticar os mesmos horários de abertura de antes do Estado de Emergência.

Tem havido alteração de horários durante a pandemia?

Sim, até porque muitos estabelecimentos foram obrigadas a encerrar às 22:00, quando fechavam as portas às 23:00 e mesmo às 00:00. É o caso das lojas da Sonae Modelo/Continente. Algumas lojas passaram a abrir às 08:00 quando foi decretado a situação de calamidade, a partir de 15 de outubro, e, em outros casos, "estendeu os horários de encerramento.

É a primeira vez que a estratégia comercial do Pingo Doce gera controvérsia?

Não. A maior foi quando o Pingo Doce fez campanha de descontos de 50% para todos os clientes que adquirissem mais de 100 euros em compras no Dia do Trabalhador, 1 de maio, de 2012.

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