CTT em greve no dia em que CEO foi ouvido no Parlamento

Sindicatos falam de uma adesão de 70%. Os números da empresa são diferentes - 17,2%

No mesmo dia em que os trabalhadores dos CTT cumpriam o primeiro de dois dias de greve por melhores condições de trabalho e pela reversão da privatização dos Correios, o CEO Francisco Lacerda foi ao Parlamento explicar o plano de reestruturação que vai levar à saída de 800 trabalhadores em três anos. Neste ano os CTT querem reduzir 200 trabalhadores, 140 já aceitaram rescindir.

Mil pessoas deverão sair dos Correios entre 2017 e 2020, mas Francisco Lacerda recusou a ideia de que se trate de despedimentos, bem como a acusação de assédio moral feita pelos sindicatos. "A administração dos CTT não pratica assédio e não dá instruções para fazer chantagem. Há conversas [com trabalhadores] em que faz parte chamar a atenção para vantagens e alternativas" da rescisão por mútuo acordo, disse o CEO, justificando o corte no pessoal com a redução do tráfego postal e a digitalização. Com o plano, defendeu, a empresa será sustentável e não haverá degradação do serviço prestado. O mesmo não dizem os sindicatos. "Se o serviço já está mal, sem estes trabalhadores ainda fica pior", afirma Vítor Narciso, do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT), que aponta para uma adesão à greve de 70%, sobretudo na área operacional. José Arsénio, do Sindicato Democrático dos Trabalhadores dos Correios, Telecomunicações, Media e Serviços (Sindetelco), não avança números, mas garante que a paralisação "teve um impacto muito significativo".

Os números dos CTT dão uma visão contrária: 17,2% foi o valor avançado pelo operador postal às 12.00. Na rede de 608 lojas, apenas duas, Madeira Shopping e Óbidos, encerraram. "Os CTT só farão nova atualização da adesão na sexta-feira", disse fonte oficial, não adiantando se vão pôr em marcha o plano de contingência que previa, nos locais onde o impacto da greve levasse a constrangimentos, fazer uma distribuição extraordinária de correio. Já os sindicatos admitem que a paralisação gere atrasos na entrega de cartas e encomendas. "Vai obviamente ter reflexos", diz José Arsénio. Mas atrasos na entrega já são a realidade da empresa mesmo em dias em que não há greve, acusa Vítor Narciso. "É preciso que mude a gestão dos CTT", diz. E para garantir a qualidade do serviço universal postal é preciso que os CTT regressem à esfera pública. Em janeiro entregam petição com mais de seis mil assinaturas do Parlamento.

Exclusivos