Combustíveis sobem três cêntimos a partir de hoje

Escalada do preço do petróleo nos mercados internacionais, que aumentou mais de 70% nos últimos 12 meses, tem consequências no bolso dos portugueses. Os impostos pesam mais de 50% no preço final ao consumidor

Os combustíveis vão voltar a subir esta semana, traduzindo a performance das cotações do petróleo nos mercados internacionais. Em média, estima-se que o aumento do gasóleo possa rondar os três cêntimos por litro, enquanto o agravamento na gasolina poderá chegar aos 3,50 cêntimos.

Significa isto que a gasolina simples 95, cujo preço médio, a semana passada, rondava os 1,670 euros por litro, passará para os 1,705 euros por litro, o que significa que encher um depósito de 50 litros custará aproximadamente 85 euros, 1,75 euros a mais do que atualmente. Já no gasóleo, o preço médio passará a ser de 1,51 euros por litro. Num depósito de 50 litros, a subida de preços vai obrigar a gastar mais 1,50 euros por abastecimento.

Desde o início do ano, e de acordo com as estatísticas da Direção-Geral de Energia e Geologia, o preço da gasolina simples 95 em Portugal continental aumentou 27,2 cêntimos, passando de 1,403 euros por litro, a 3 de janeiro, para 1,675 a 2 de outubro. Já no gasóleo, o aumento total foi de 24,1 cêntimos: passou de 1,242 para 1,483 euros.

Há que ter em conta que o preço do petróleo nos mercados internacionais subiu mais de 70% no último ano, passando de 42 dólares por barril em setembro de 2020 para quase 72 dólares em agosto último. "Após a queda verificado no início da crise pandémica, o preço do petróleo bruto voltou a negociar em níveis nunca vistos desde finais de 2018", reconhece Nuno Mello, analista da XTB. E lembra que, no final de novembro de 2020, já o preço do barril de crude tinha recuperado mais de 140% desde os seus mínimos, em maio de 2020, "animado pelas perspetivas de início da vacinação e a melhoria significativa esperada em termos de mobilidade".

E 2021 arrancou com a China a comprar enormes quantidades de matérias-primas, incluindo petróleo. A OPEP já anunciou que vai aumentar a produção para fazer face à elevada procura. O aumento da produção em agosto foi de 290 mil barris por dia, mesmo assim abaixos dos 400 mil barris esperados.

Em Portugal, o governo anunciou, em julho, a intenção de fixar margens máximas de comercialização para os combustíveis simples, proposta de lei essa que foi aprovada, na generalidade, no Parlamento a 17 de setembro. Uma medida criticada pelas petrolíferas, que apontam o dedo à fiscalidade do setor: os impostos correspondem a 53% do preço final do gasóleo e a 59% no caso da gasolina.

Também a Autoridade da Concorrência considera que a limitação das margens pode criar "riscos de distorção da concorrência".

"A imposição de um limite máximo a um nível artificialmente baixo, que não permita aos operadores recuperarem os custos de fornecimento, poderá ter um impacto negativo nos investimentos e manutenção dos ativos e potenciar a saída de operadores, em particular de menor dimensão, com repercussão na capilaridade da rede de postos e na concorrência", refere a AdC na análise que fez à proposta de lei do governo, sublinhando que deveriam ser ponderadas "eventuais medidas alternativas passíveis de introduzir maior dinâmica concorrencial nos mercados em causa".

ilidia.pinto@dn.pt

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