CGTP e UGT celebram Dia do Trabalhador em clima de paz social

As centrais sindicais promovem concentrações e iniciativas em vários pontos do país

A CGTP e a UGT assinalam hoje o Dia do Trabalhador e esperam a participação de milhares de pessoas nas celebrações, sinalizando que o país atravessa um clima de paz social devido à mudança do quadro político.

"A nossa expectativa é boa, pois comemora-se o 1.º de Maio num novo quadro político, na sequência da luta da população que levou à queda do Governo PSD/CDS-PP, e que se traduziu na reversão dos cortes e na reposição de direitos", disse à agência Lusa o secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional (CGTP-IN), Arménio Carlos.

O líder da Intersindical enfatizou a necessidade da participação de todos nas várias atividades por ocasião do Dia do Trabalhador, uma vez que "só pode haver mudança com a concretização da esperança e através de políticas que favoreçam o país".

Apesar da mudança do quadro político, Arménio Carlos destacou que é necessário ainda mais diálogo e "mais respostas às reivindicações dos trabalhadores" e assegurou que a CGTP vai intensificar a luta, dentro e fora dos locais de trabalho.

Já o líder da União Geral de Trabalhadores (UGT), Carlos Silva, que vai estar hoje em Viseu, considerou que o país está a viver "alguma paz social que o Governo tem conseguido manter".

Em declarações à Lusa, o sindicalista assumiu que este é também um dia para insistir nas reivindicações da UGT, mas reconheceu que "o movimento sindical tem de saber o que pedir e quando pedir".

Enalteceu, a propósito, "a reversão de um conjunto de medidas [pelo atual Governo] que de uma forma muito liberal foram impostas nos últimos anos", como os cortes salariais, a valorização da concertação social e a reposição das 35 horas de trabalho semanal.

Este ano, a UGT comemora o Dia do Trabalhador em Viseu, sob o lema "Crescimento, Emprego e Igualdade", que conta com o habitual comício sindical e com animação musical.

As estruturas da CGTP promovem concentrações e iniciativas desportivas, culturais e lúdicas em cerca de 41 localidades do país, embora seja no Porto e em Lisboa que se realizam as maiores manifestações.

Em Lisboa, realiza-se às 10:00 a tradicional Corrida Internacional do 1.º de Maio, com partida e chegada no Estádio 1º de Maio.

Ao início da tarde, a partir das 14:30, está previsto o habitual desfile entre o Martim Moniz e a Alameda D. Afonso Henriques, onde decorrerá o comício sindical que terá como orador principal Arménio Carlos.

A CGTP assinala assim o 130.º aniversário dos acontecimentos de Chicago, nos Estados Unidos da América, que estiveram na origem do 1.º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, sob o lema "Avançar pela Mudança - Defender, Repor e Conquistar Direitos!".

A 01 de maio de 1886, realizou-se uma manifestação de trabalhadores naquela cidade norte-americana para reivindicar a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias e, que teve a participação de milhares de pessoas. Nesse dia, teve início uma greve geral nos Estados Unidos. Os protestos prolongaram-se e, no dia 04 de maio, dezenas de pessoas foram mortas pela polícia na sequência de confrontos entre manifestantes e as forças policiais. Cinco sindicalistas foram condenados à morte e três outros condenados a pena de prisão perpétua.

Em Portugal, só a partir de maio de 1974 (o ano da revolução do 25 de Abril que derrubou a ditadura) é que se voltou a comemorar livremente o 1.º de Maio e este passou a ser feriado. Durante a ditadura do Estado Novo, a comemoração deste dia era reprimida pela polícia.

Exclusivos