Stiglitz: Bruxelas trata regras europeias como se tivessem sido "dadas por Deus"

"Regras precisam de ser reformadas", defendeu o economista nas Conferências do Estoril

O economista Joseph Stiglitz afirmou hoje que a União Europeia trata os números do défice e da dívida "como se tivessem sido dados por Deus", defendendo que isso é errado e que estas regras "precisam de ser reformadas".

O prémio Nobel da Economia de 2001, que falava hoje nas Conferências do Estoril, afirmou que as regras europeias "foram desenhadas para restringir o Governo, limitar défices, limitar dívidas e limitar a política monetária".

Citando os limites de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) para o défice, de 60% do PIB para a dívida e de abaixo mas próximo dos 2% para a inflação, Stiglitz questionou "de onde vieram estes números", concluindo que "não havia base económica".

"Mas, ainda assim na Europa, esses números são tratados como se tivessem sido dados por Deus, como se fosse uma violação das leis básicas da natureza quebrar essas regras. Mas elas foram regras criadas por homens e - como todas as instituições humanas - são falíveis", defendeu o economista norte-americano.

Joseph Stiglitz afirmou que "os problemas fundamentais do euro são a estrutura da zona euro em si" e que "as regras e as instituições que foram criadas precisam de ser reformadas [porque] sem isso o euro não vai funcionar", acrescentando que "culpar os países individualmente é errado" já que "o problema fundamental é a estrutura da zona euro em si".

Sublinhando que "o euro é um meio para um fim e não um fim em si mesmo", o professor da Columbia University recordou que o projeto europeu foi criado para "trazer prosperidade" e fazer convergir os países pobres para o nível de desenvolvimento e bem-estar dos mais ricos mas que, em vez disso, "trouxe um sistema divergente em que os ricos ficam mais ricos e os pobres ficam mais pobres".

Joseph Stiglitz recebeu hoje o Estoril Global Issues Distinguished Book Prize 2017 pelo livro "O euro e a sua ameaça ao futuro da Europa", editado em Portugal, em 2016.

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