Bruxelas quer mais investimento em educação

Comissário responsável pela Educação diz que Europa está a ficar em desvantagem em relação aos países emergentes, por consequência da austeridade

A Comissão Europeia quer que os estados-membros coloquem mais dinheiro dos orçamentos nacionais na educação. Na apresentação de um relatório sobre o estado da educação na União Europeia, o comissário responsável pela pasta concluiu que a Europa está em "desvantagem" em relação às economias emergentes e reconheceu que essa é uma consequência direta da austeridade.

"Infelizmente, um dos primeiros passos na consolidação orçamental ou na contenção dos défices foram também cortes nos orçamentos da educação", disse Tibor Navracsics, desafiando os governos a colocarem o ensino no topo das prioridades políticas.

O comissário considera que, em comparação com outras regiões do globo, o investimento médio 5,3% do PIB europeu coloca a Europa em clara desvantagem. "Por exemplo, a China, Nova Zelândia, os países asiáticos, podemos ver 6 ou mais de 6 por cento do PIB investidos em educação. Isto que dizer que os estados-membros estão, infelizmente, em falta nos investimentos em educação", afirmou, defendendo o investimento de mais dinheiro público em educação para travar o "problema" e evitar "consequências futuras".

"O crescimento económico, a criação de empregos estão no centro das prioridades desta comissão. Só podemos alcançar estas prioridades investindo nas pessoas e colocando a educação no centro das políticas económicas e sociais", defendeu Navracsics.

Em relação a Portugal, o relatório apresenta dados do Eurostat de 2010 a 2013, numa altura em que ainda não tinham sido aplicados a maior parte dos cortes na área da educação. Na tabela relativa ao "investimento público em educação", pode ler-se que, naqueles três anos, os gastos com o sector da educação emagreceram de 7,7% do PIB para 6,8%.

A Comissão conclui que, na última década, "Portugal reduziu significativamente a taxa de abandono escolar precoce e tem "melhorado muito" a percentagem dos que concluem o ensino superior. Mas nota também que "as taxas de escolarização no ensino superior têm mostrado algumas flutuações ao longo dos últimos três anos".

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