Até as botas Dr Martens já são vegan. E isso fez disparar as vendas

O fabrico das famosas botas Dr Martens em materiais de origem não animal será um dos fatores que contribuiu para aumentar as vendas da empresa, que apresentou mais 70% de lucros este ano. A linha vegan existe há alguns anos e as vendas têm aumentado muito, dizem os responsáveis pela marca britânica. Mas ainda são só 4% do total.

A consciência ecológica está a aumentar, sobretudo entre os mais jovens, e a determinar cada vez mais as suas escolhas como consumidores. Isso mesmo creem os responsáveis pela marca Dr Martens (conhecida como "Doc Martens"), que apontam os aumentos de "várias centenas percentuais" nas vendas das suas linhas de botas vegan, cujo material é sintético, como um dos fatores que explicam a subida de 70%, dos lucros respetivos entre março de 2018 e março de 2019, correspondendo a mais 85 milhões de libras (quase 92 milhões de euros). No mesmo período, foram vendidos mais de oito milhões de pares de botas ou outro calçado da marca.

Outros dos elementos do sucesso serão as vendas on line, também em subida, e a diversificação da marca, que além de botas oferece a opção de sandálias, modelos para crianças e linhas especiais em colaboração com a banda punk Sex Pistols e o designer Marc Jacobs.

As botas Dr Martens são fabricadas no Reino Unido desde 1960, quando uma empresa britânica comprou o design ao médico alemão Klaus Märtens, que o criara. As botas eram feitas em couro, com biqueira redonda e sola de borracha do tipo air sole para maior conforto. O primeiro modelo a ser fabricado no Reino Unido era cor de cereja, ostentando já o típico pesponto amarelo na sola, e tornou-se muito popular na classe operária. Mas foi quando as subculturas juvenis as descobriram -- primeiro os skinheads e depois, no final da década de 1970, o movimento punk - que ganharam um enorme sucesso.

Em 2003, porém, devido ao declínio nas vendas o fabrico foi deslocalizado para a China e Tailândia, tendo-se interrompido a produção da linha vegan, iniciada em 2000. Foram fechadas duas lojas e cinco fábricas e despedidas mais de 1000 pessoas. A produção regressou ao Reino Unido logo no ano seguinte, porém, mas apenas para a linha vintage -- anunciada como sendo feita de acordo com as especificações originais.

A partir de 2010 as vendas subiram e em 2012 a empresa foi a oitava que mais cresceu em rendimento no país; foram abertas várias novas lojas no Reino Unido e no estrangeiro, com uma linha de vestuário a juntar-se à de calçado. Em 2013 a marca foi vendida a uma empresa de capital de risco, a Permira, por cerca de 325 milhões de euros. Nos cinco anos e meio em que esta detém a marca os lucros aumentaram muito -- de 175 milhões de euros no ano 2012/2013 para 490 milhões em 2018/2019 --, tendo sido anunciado pelo porta-voz da Permira que uma venda poderá estar próxima.

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