António Mosquito homenageado no Brasil

Empresário angolano acionista do Global Media Group foi distinguido como empresário do ano pela comunidade afro-brasileira

António Mosquito acaba de ser distinguido, em São Paulo, como empresário do ano pela comunidade afro-brasileira, numa cerimónia que homenageou também o ex-senador e reverendo americano Jesse Jackson, a presidente da Suprema Corte do Brasil, Carmen Lúcia, e a cantora Elza Soares, vencedora do Grammy Latino 2016 de melhor álbum de música.

"Estou muito feliz por receber este prémio. É um gesto único e uma distinção que aceitei com muito prazer. Acho benéfico, muito positivo, trabalharmos pelo progresso e a valorização da comunidade negra. Isto ainda é um princípio, um trabalho de anos, mas tende a crescer", disse António Mosquito, líder do grupo empresarial GAM, com negócios nas áreas de comércio, transportes, construção civil, hotelaria, imobiliária, agricultura e pecuária, e também na comunicação social, como acionista de referência do Global Media Group.

"Que este troféu seja um exemplo para as novas gerações, nas cidades onde nascemos e crescemos. Com ele, mostramos ao mundo que, mesmo nos países onde dizem que a corrupção é muito grande, também existem pessoas que pensam e trabalham de outra forma. Isto, para nós, é um engrandecimento", afirmou Mosquito, que é cônsul honorário da Áustria em Angola e portador de várias condecorações estrangeiras, entre as quais as de cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno, pelo Papa Bento XVI, e comendador da Ordem de Mérito da República Italiana.

O presidente do júri dos troféus, José Vicente, reitor de uma das universidades de São Paulo, justificou que a distinção de Mosquito tem como objetivo alargar as referências positivas da comunidade afro--brasileira: "Aqui, 53% da população é negra, mas não temos nenhum empresário ou diretor de grande empresa negro que tenha tido tanto sucesso como António Mosquito. Esperamos que ele seja um espelho."

A presidir à cerimónia, o governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, fez questão de destacar que a homenagem a nomes internacionais favorece as políticas de inclusão racial no Brasil: "É importante que o troféu não se limite aos brasileiros, mas que também dê destaque aos que, no exterior, militam em prol da justiça social, contra a discriminação", comentou.

Estas distinções, patrocinadas pela ONG Afrobras, foram criadas há 16 anos, por ocasião das comemorações dos 500 anos de descobrimento do Brasil, destinadas à "inclusão e empoderamento afroétnico" e em homenagem à primeira revolta de escravos negros (liderada por Zumbi dos Palmares) no continente americano.

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