Altice cortou em seis meses 120 milhões de custos na PT

Receitas na PT Portugal recuaram 7,3% para 2,3 mil milhões de euros em 2015, mas o EBITDA melhorou 3,6%, para 967,3 milhões

O grupo Altice já cortou 120 milhões de euros em custos operacionais na PT desde que assumiu em junho a gestão da dona do Meo. E quer cortar mais, admitiu Michel Combes, COO da Altice, na conference call com analistas para apresentação dos resultados anuais do grupo francês em que a PT apresentou um recuo de 7,3%, para 2,3 mil milhões, nas receitas.

Globalmente, o grupo de Patrick Drahi fechou com receitas de 17,5 mil milhões (-0,1%). O EBITDA (lucro antes de impostos, juros e amortizações) melhorou 17,6%, para 6,6 mil milhões devido ao crescimen-to deste parâmetro em França (+20,2%), EUA (+29,3%) e Portugal (+3,6%). Em Portugal, a dona do Meo fechou com EBITDA de 967,3 milhões, com a margem a melhorar 4,4 pontos, para 41,3%. Uma melhoria resultante do corte de custos.

"Estou muito otimista, quer no que estamos a atingir em termos de mercado quer em investimentos e aposta em inovação", afirmou o CEO da PT Portugal, Paulo Neves, depois da apresentação de resultados. O grupo de Patrick Drahi tem como objetivo poupanças de 200 milhões de euros, dos quais cem milhões eram esperados nos primeiros 12 a 18 meses após a compra da PT Portugal. Duzentos milhões é um objetivo a "médio prazo", admitiu Michel Combes, chief operating officer (COO) do grupo Altice, sem revelar quando o grupo francês pretendia atingir essa meta. "Há potencial para crescermos para além dos 200 milhões [a nível de corte de custos]", disse ainda, sem mais pormenores. Desde que assumiu a PT em junho, a Altice iniciou um processo de negociações com os fornecedores e de reorganização da companhia, com redução de direções. Foram ainda feitos cortes a nível de custos com pessoal, com diminuição das ajudas de custo e corte em benefícios como pacotes de telecomunicações.

Agora é conhecido com detalhe o impacto dessa estratégia. Em seis meses de gestão a Altice cortou 42 milhões ao nível de operação de redes e manutenção; 29 milhões em custos de pessoal, 25 milhões na área de vendas e marketing; 13 milhões na área de serviço a cliente e 11 milhões em despesas gerais e administrativas.

As receitas não tiveram, no entanto, uma subida no período, com as receitas na área residencial a recuar 3,6% e as do segmento empresarial a recuar 7,5%. Mas a expectativa do grupo é que esta tendência venha a melhorar em 2016, empurrada por uma "base de clientes resiliente e aumentos de preços em janeiro de 2016", destaca a Altice do segmento residencial. Do lado empresarial, depois de um pico negativo no segundo trimestre do ano passado, o grupo garante não ter sofrido perdas de contas corporate relevantes no último semestre, tendo obtido ganhos de quota no segmento das microempresas e PME.

A PT tinha até ao final do ano passado 4,7 milhões de casas ligadas, das quais 2,23 milhões ligadas com rede fibra. A empresa tinha 404 mil clientes de fibra, dos quais 364 mil (90%) com pacotes convergentes com três, quatro ou cinco serviços. Estratégia de expansão de rede que a PT quer continuar: em cinco anos quer ligar mais três milhões de lares, tendo iniciado o ano passado a expansão da rede fibra a várias regiões. Mas em 2015 o investimento (CAPEX) reduziu 66,6 milhões para 331,2 milhões. A dona do Meo fechou com 1,16 milhões de unidades geradoras de receita na fibra, com 396 mil subscritores do serviço de televisão. No serviço de banda larga registou 371 mil clientes e no telefone fixo 299 mil clientes. No móvel, o Meo fechou com 6,252 milhões de clientes, dos quais 2,676 milhões são pós-pagos, com a adição de mais 48 mil assinantes nos últimos três meses do ano. A receita média por cliente fixou-se nos 6,9 euros. Na fibra a receita média por cliente fixou-se nos 40,1 euros. com J.P.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG