"Algo deve ser feito para resolver a questão dos bancos", diz Durão Barroso

O ex-primeiro-ministro e ex-presidente da Comissão Europeia não conhece a proposta de António Costa.

O ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso recusou hoje comentar a criação de um veículo para ativos tóxicos da banca, mas defendeu que "algo deve ser feito em Portugal para resolver a questão dos bancos".

"Não conheço essa proposta [do primeiro-ministro António Costa], não posso, pois, comentá-la. O que posso dizer é que algo deve ser feito em Portugal para resolver a questão dos bancos", disse José Manuel Durão Barroso à imprensa, à margem de uma conferência em Lisboa.

O também ex-primeiro-ministro português justificou essa necessidade afirmando que "a situação da banca portuguesa continua difícil apesar de todos os esforços feitos" e que "é do interesse português e europeu" encontrar uma solução.

"Para que haja plena confiança na banca portuguesa e para que não continuem a surgir notícias (...) sobre este ou aquele banco, num caso recente, a resolução de um banco", disse.

Durão Barroso frisou neste contexto o papel essencial do sistema bancário português enquanto "principal meio de financiamento da economia".

O ex-presidente da Comissão Europeia (2004-2014) referiu contudo que os problemas de competitividade não se resumem ao sistema bancário, defendendo a prossecução de "reformas estruturais", mas repetiu que "é sem dúvida um problema", para concluir: "Se houver propostas interessantes e inteligentes para o resolver, muito bem".

O primeiro-ministro português, António Costa, defendeu no domingo, numa entrevista ao DN e à TSF, que é "útil para o país encontrar um veículo de resolução do crédito malparado".

"Acho que era útil para o país encontrar um veículo de resolução do crédito malparado, de forma a libertar o sistema financeiro de um ónus que dificulta uma participação mais ativa nas necessidades de financiamento das empresas portuguesas", explicou.

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