Acordo com a Mitsubishi faz crescer em 30% as vendas da ADIRA nos EUA

Fábrica de Vila Nova de Gaia exporta 70% da sua produção. Entrada no mercado americano alavancou o negócio.

A ADIRA, líder ibérica de máquinas quinadoras e guilhotinas, fechou o exercício de 2019 com vendas de 1,1 milhões de euros nos Estados Unidos, um aumento de 32,4% face ao ano anterior, fruto do contrato que assinou com a Mitsubishi para a representação e distribuição exclusiva dos seus equipamentos no país, mas, também no Canadá e no México. Uma parceria a três anos, e que surge como "alavanca de entrada" naquele que é o maior importador mundial de quinadoras hidráulicas do mundo.

O contrato com a MC Machinery Systems foi assinado o ano passado, com as primeiras máquinas a serem fornecidas em junho de 2019. Em contrapartida, a ADIRA é o representante das máquinas de corte a laser da Mitsubishi no mercado português e espanhol, equipamentos que a empresa portuguesa deixou de produzir, a partir de 2018, fruto do aumento da concorrência por parte de produtores de países asiáticos. Questionado sobre os objetivos para 2020 e anos seguintes deste acordo, o CEO da ADIRA, refere, apenas, que os EUA "apresentam um volume anual de importações de quinadoras hidráulicas de, aproximadamente, 320 milhões de dólares ao ano" e que o contrato garantirá, em velocidade cruzeiro, "Um incremento significativo" no número de máquinas produzidas. A penetração da marca no mercado americano era "pouco expressiva" e a parceria com a Mitsubishi funcionou como "alavanca de entrada nestes mercados de grande dimensão" no setor.

"Os Estados Unidos têm um potencial imenso e espaço para muitos players. Acreditamos que vamos conseguir alcançar aí uma posição confortável", diz Jorge Araújo, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

Com 9,8 milhões de euros faturados em 2019, a ADIRA exporta 70% da sua produção, tendo presença assegurada em todos os continentes, da Austrália à Argentina, passando pelos Emirados Árabes, Tailândia ou Coreia. Espanha, EUA, Egito, França e Suécia são os principais mercados externos. Fornece os mais diversos setores, da indústria de móveis à indústria naval, passando pela produção de pavilhões industriais, pelos fornecedores de componentes para as indústrias aeronáutica e aeroespacial, até às serralharias de menor dimensão.

Com mais de 60 anos de experiência no mercado, a metalúrgica foi adquirida pela Sonae Capital em 2017. Faturava, então, 15 milhões de euros e tinha planos para chegar aos 25 milhões em 2022. O mercado, muito dependente do contexto da economia mundial, não ajudou. "O objetivo é crescer, mas também estamos sujeitos a fatores externos e o consumo de máquinas-ferramentas no mundo caiu cerca de 20% em 2019. E a covid veio obrigar-nos a reavaliar todos os planos de crescimento", garante Jorge Araújo.

Um milhão de euros era o investimento previsto pela ADIRA em 2020, mas a pandemia obrigou a colocar o plano em stand-by. "Todas as decisões de investimento ainda não comprometidas têm sido analisadas de forma casuística, com vista à obtenção de um equilíbrio entre duas dimensões igualmente importantes, a do investimento necessário ao crescimento, mas, também, a sustentabilidade do negócio", explica. Em contrapartida, reforçou os investimentos em transformação digital, designadamente com a criação de um showroom virtual e de uma app com recurso à realidade aumentada, como forma de estar mais próxima dos clientes e de tentar melhorar a capacidade de vendas, mesmo à distância.

Este ano, a empresa esperava chegar aos 14 milhões de euros de volume de negócios, e o primeiro trimestre até estava a correr bem, 8% acima do período homólogo. A partir de fevereiro começaram as dificuldades. "Nunca fechamos, mantivemos a operação de forma permanente, com uma natural redução da atividade", diz Jorge Araújo. O tempo de fabrico destes equipamentos é grande, da ordem dos dois três meses, pelo que, até abril, esteve a produzir e entregar as encomendas que receberam janeiro.

O impacto na produção foi sentido, precisamente, a partir de abril. "Os clientes não cancelaram os investimentos, mas adiaram-nos e, neste momento, ainda não somos capazes de ter uma estimativa muito clara de como vamos fechar o ano", frisa. Como forma de "preservar os postos de trabalho", a ADIRA recorreu ao lay-off simplificado, em maio e junho, por redução da atividade. Tem 118 trabalhadores, que estão a trabalhar a tempo parcial. Agora, começa a sentir os primeiros sinais de retoma, sobretudo nos mercados do oriente.

A manufatura aditiva de grandes dimensões é outra das áreas de grande aposta. A empresa tem vindo aquela que acredita ser a única impressora 3D em aço no mundo capaz de produzir peças de um metro cúbico de dimensão, com aplicações nas indústrias aeroespacial, aeronáutica e automóvel. Os protótipos já existem, mas estabeleceu, entretanto, uma parceria com o Fraunhofer ILT para "acelerar o desenvolvimento da tecnologia", de modo a lançar este produto no mercado na Formnext 2020, a feira internacional do setor que decorre em novembro em Frankfurt. "O mercado da manufatura aditiva tem vindo a crescer muito, de ano para ano, e revelou-se até importante, em algumas empresas e países, para ajudar no apoio ao combate da covid-19, possibilidade a impressão, em 3D, de componentes para ventiladores, por exemplo. "É uma tecnologia em que temos que estar porque acreditamos que um nicho de mercados, mas que é o futuro", diz Jorge Araújo.

Ilídia Pinto é jornalista do Dinheiro Vivo

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