Acionistas do BCP favoráveis à entrada de novos investidores

Assembleia aprovou, ainda, o reagrupamento de ações. Em vez de lotes de 193 serão lotes de 75 a dar origem a uma ação

Os acionistas do BCP aprovaram ontem a possível entrada de novos investidores no banco. Na prática, abdicaram do direito de preferência em futuros aumentos de capital, no valor máximo de 20% da capitalização bolsista. Tendo em conta o atual valor do banco em Bolsa, este reforço do pode chegar a um máximo de 460 milhões de euros.

A administração liderada por Nuno Amado, que tinha avançado com a proposta, justifica a decisão: num cenário de "elevada volatilidade e instabilidade dos mercados financeiros", atual e previsível para "os tempos mais próximos", "pode fazer toda a diferença, o estar ou não, uma instituição, em condições de aproveitar e concretizar com prontidão uma eventual disponibilidade de investimento por parte de investidores qualificados ou institucionais, que pode não se compadecer com os prazos, a demora, a complexidade e, sobretudo, as incertezas de atribuição próprias de rights issues".

Numa assembleia geral que se arrastou por cerca de oito horas, os acionistas do BCP aprovaram ainda o reagrupamento de ações do banco (reverse stock split), de forma a reduzir o seu número e aumentar o seu valor unitário. Este foi um dos pontos mais polémicos da assembleia e só foi aprovado depois de introduzida uma alteração à proposta inicial: em vez de lotes de 193 ações serem reagrupados numa só, os acionista deliberaram que fossem fundidos lotes de 75 títulos.

O BCP considera que o atual valor das ações, extremamente baixo, "penaliza a mensagem de banco líder e sociedade de referência para o investimento em Portugal". Fazendo as contas aos 3,9 cêntimos a que os papéis do BCP fecharam ontem, com a aprovação desta proposta cada ação passará a valer cerca de 2,925 euros.

Na reunião, realizada no hotel Lagoas Park, em Oeiras, foram ainda aprovadas as contas de 2015, ano em que o banco regressou aos lucros - 235 milhões de euros - e a nomeação da consultora Deloitte para auditor externo do banco até 2018. A escolha da Deloitte - a alternativa em cima da mesa era a PricewaterhouseCoopers - foi justificada por esta consultora ter obtido o resultado mais elevado "nos critérios e subcritérios de seleção adotados na consulta realizada".

A assembleia geral do BCP acontece depois de ter sido publicado, na quarta-feira, o diploma que facilita a desblindagem dos estatutos dos bancos no que respeita às restrições dos direitos de voto. Questionado pelos jornalistas, Nuno Amado mostrou-se "preocupado" com os efeitos do diploma, considerando que vem "alterar os pressupostos em que os investidores adquiriram ações" do banco.

Não quis, no entanto, avançar com mais comentários, sublinhando que o banco está, ainda, a analisar o diploma.

Pela nova lei, que entra em vigor a 1 de julho, os bancos que tenham limites de voto nos estatutos (caso do BPI, mas também do BCP) têm até final do ano para realizarem assembleias gerais e decidirem sobre esse assunto e, se a proposta de desblindagem de estatutos for feita pelo conselho de administração, essa reunião é feita sem as limitações de votos em vigor, o que facilita alteração dos estatutos. A decisão sobre alteração precisa de uma maioria de dois terços do total do capital presente em AG.

Atualmente, os estatutos do BCP estipulam que qualquer acionista não possa votar com mais de 20% dos direitos de voto, mesmo que tenha capital social superior. Caso os estatutos do BCP sejam alterados, os acionistas podem ter interesse em aumentar a sua participação, uma vez que o seu poder no banco também se reforça em direitos de voto.

Com Lusa

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