Seca extrema empurra EDP para prejuízos

A baixa produção hídrica e a escalada dos preços grossistas da eletricidade afundaram as contas do primeiro trimestre da EDP.

A seca extrema do último inverno, a mais severa dos últimos 90 anos, e a escalada dos preços da eletricidade no mercado ibérico empurraram a empresa liderada por Miguel Stilwell para prejuízos no primeiro trimestre do ano. A elétrica registou prejuízos de 76 milhões de euros de janeiro a março, um número que compara com os lucros de 180 milhões de euros registados em igual período do ano passado.

Estas condições meteorológicas resultaram "num défice recorde de produção hídrica da EDP no mercado Ibérico no trimestre de 2,6TWh face à média histórica", segundo o comunicado emitido ao regulador do mercado (CMVM). Devido à seca extrema, em fevereiro o Governo decidiu mesmo suspender a produção de eletricidade em cinco barragens da EDP: três a Norte e duas no Zêzere.

Este défice hídrico obrigou a um maior volume de compras de eletricidade no mercado grossista Ibérico, por forma a satisfazer o consumo da carteira de clientes da elétrica. Isto num trimestre em que os preços grossistas de eletricidade atingiram máximos históricos, sendo que esta acentuada subida não foi totalmente repercutida nos consumidores e causou perdas avultadas. "O forte aumento do custo da eletricidade vendida, não repercutido na carteira de clientes, implicou uma perda de 440 milhões no primeiro trimestre ao nível do EBITDA (resultado antes de juros, impostos, amortizações e depreciações)". Situação que explica a passagem de lucros para prejuízos nos tês primeiros meses do ano, segundo a EDP.

O EBITDA seguiu a mesma tendência de queda, tendo recuado 18% para 710 milhões, com as perdas associadas à baixa produção hídrica na Península Ibérica a serem apenas parcialmente compensadas pelo desempenho das restantes áreas de negócio.

A empresa adianta que para o resto do ano é esperado que a perda registada com o défice hídrico do primeiro trimestre seja compensada pelo bom desempenho de outras áreas de atividade da EDP, incluindo EDP Renováveis, EDP Brasil, redes Ibéricas e mais produção térmica.

A elétrica registou ainda um aumento de 10% nos custos operacionais para 502 milhões de euros e um agravamento de 41% nos resultados financeiros para 173 milhões negativos.

Por sua vez, de janeiro a março o investimento bruto aumentou mais de três vezes para 2,3 mil milhões. Já a dívida líquida no final de março totalizava 13,1 mil milhões, uma subida de 14% e o equivalente a 4,3 vezes o EBITDA. Este aumento é explicado pela EDP com "a conclusão em fevereiro das aquisições da CELG-T no Brasil e da Sunseap em Singapura, que marcou o início da expansão do Grupo para oito novos mercados, estabelecendo uma nova plataforma na Ásia Pacifico".

sara.ribeiro@dinheirovivo.pt

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