Vida difícil para o português. Everton de Marco Silva perde nos descontos em Leicester

O Everton esteve a vencer, mas acabou derrotado com um golo nos minutos finais. Treinador português muito dificilmente vai resistir a esta derrota.

O Everton, clube da Premier League treinado pelo português Marco Silva, foi neste domingo derrotado na deslocação a Leicester por 2-1, num jogo onde esteve a vencer e sofreu o golo da derrota nos descontos, aos 90+4. A posição de Marco Silva parece assim cada vez mais fragilizada, com o clube de Liverpool a ocupar um modesto 17.º lugar, com apenas 14 pontos somados.

O Everton colocou-se em vantagem aos 23 minutos, com um grande golo de cabeça do avançado brasileiro Richarlison. Mas 68', Vardy igualou a partida. E numa altura em que já toda a gente esperava pelo apito final do árbitro, o Leicester fez o segundo golo, por Iheanacho, a passe do português Ricardo Pereira. Este triunfo deixou Marco Silva em maus lençóis (nos últimos 10 jogos, a equipa somou sete derrotas, um empate e apenas duas vitórias) e permitiu aos foxes ultrapassarem o Manchester City no segundo lugar.

Também neste domingo, o Wolverhampton, de Nuno Espírito Santo, não conseguiu bater o Sheffield United, equipa proveniente do Championship, ao empatar em casa a 1-1, num jogo em que até esteve a perder.

Com os portugueses Rui Patrício, João Moutinho, Rúben Neves e Diogo Jota a titulares, e Pedro Neto e Rúben Vinagre no banco, os wolves estiveram em desvantagem em mais de metade do jogo, depois de Mousset marcar logo aos dois minutos para o Sheffield.

Depois, valeu o melhor marcador do Wolverhampton, o mexicano Raul Jiménez, ao cruzar largo aos 64 minutos, para Doherty surgir ao segundo poste e fazer o 1-1, dando um ponto aos wolves, sextos, com os mesmos pontos do Tottenham (quinto).

Já o Arsenal somou neste domingo o oitavo jogo consecutivo sem vencer, ao empatar com o Norwich (2-2), dois dias depois de despedir o treinador Unai Emery.

Com o adjunto sueco Fredrik Ljungberg no banco, os gunners estiveram por duas vezes em desvantagem neste jogo da 14.ª ronda e só não saíram derrotados da visita a Carrow Road muito devido à exibição do guarda-redes alemão Bernd Leno.

O Norwich, 19.ª e penúltimo no campeonato, marcou por Pukki, aos 21 minutos, e Cantwell, aos 45'+2, enquanto no Arsenal foi Aubameyang que bisou, primeiro golo numa grande penalidade repetida, por invasão da área, aos 29', e depois aos 57'.

A equipa londrina, que ainda não anunciou substituto para Unai Emery, ocupa o oitavo lugar, a distantes 21 pontos do líder Liverpool, que no sábado venceu em casa o Brighton (2-1).

Empatado (2-2) terminou também o jogo entre o Manchester United e ao Aston Villa, numa partida em que o ex-benfiquista Lindelof marcou o segundo golo dos red devils.

Este domingo ficou ainda marcado pelo despedimento de Quique Flores por parte do Watford, menos de três meses depois de ter assumido o comando da equipa e num momento em que esta segue em 20.º e último lugar na Liga inglesa de futebol.

No sábado, o Watford sofreu a oitava derrota em 14 jornadas, ao perder na visita ao Southampton (18.º), por 2-1, num jogo em que até esteve a vencer até aos 78 minutos, com um golo de Ismaila Sarr, aos 24, mas permitiu a reviravolta dos 'The Saints'.

O despedimento de Quique Flores, de 54 anos, é o terceiro na Premier League no espaço de 12 dias, após as saídas de Maurício Pochettino no Tottenham, substituído por José Mourinho, e de Unai Emery no Arsenal.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...