Rio Ave volta a expôr as feridas de um Sporting ainda mais no fundo do poço

Pela segunda vez esta época, os vilacondenses foram a Alvalade vencer. Da primeira vez "despediram" Keizer, agora abrem a porta de saída de Leonel Pontes. Com Jorge Silas à beira de assumir-se como novo treinador do Sporting, aumenta a contestação em torno do presidente Frederico Varandas, que ouviu das boas após a terceira derrota consecutiva da equipa.

E vão cinco jogos sem vencer e três derrotas consecutivas do Sporting. Desta vez voltou a ser em Alvalade perante o Rio Ave (1-2) na primeira jornada da fase de grupos da Taça da Liga.

Os leões somam pela primeira vez na sua história 56% de derrotas, um recorde histórico, afinal só conseguiram duas vitórias em nove jogos oficiais. E já passou um mês desde o último triunfo (em Portimão), depois disso os leões entraram em queda livre. Foi despedido Marcel Keizer e agora foi a vez de Leonel Pontes ter dito adeus à sua comissão de serviço como técnico interino.

Nas próximas horas, Jorge Silas será anunciado como o senhor que se segue e enquanto isso a contestação vai aumentando de tom, tendo como alvo o presidente Frederico Varandas, que ontem ouviu das boas dos poucos adeptos que estiveram em Alvalade. E é neste cenário, com a equipa no fundo do poço e os adeptos em ebulição, que o novo treinador terá de trabalhar (e muito) para conseguir reverter um ciclo negativo de uma equipa que está sobre brasas e acumula erros.

Primeiro erro deu golo do Rio Ave

Neste jogo, Leonel Pontes manteve-se fiel ao seu 4x4x2 losango, mas promoveu a estreia a titular do jovem guarda-redes Luís Maximiano, contou com o regresso do capitão Bruno Fernandes, após castigo, mas manteve cinco jogadores em relação à derrota com o Famalicão. Do outro lado, o Rio Ave surpreendeu com um sistema de três centrais, mantendo apenas dois jogadores que tinham iniciado o jogo com o Beleneneses SAD na última jornada da I Liga, afinal no próximo domingo há a receção ao FC Porto para o campeonato.

Foi precisamente por causa da descoordenação na organização defensiva vila-condense, com os laterais muito adiantados em relação à linha de três defesas que o Sporting aproveitou para uma entrada a todo o gás, com um futebol rápido e, sobretudo, com maior agressividade nos duelos, que permitiam rápidas recuperações de bola.

Os primeiros quinze minutos foram todos dos leões, que desperdiçaram de forma incrível três excelentes oportunidades para abrir o marcador através de Bruno Fernandes, Vietto e depois devido a uma má decisão de Jesé Rodríguez, que se estreou a titular na equipa de Leonel Pontes.

Carlos Carvalhal, treinador do Rio Ave, conseguiu retificar o posicionamento dos seus laterais, pelo que os leões deixaram de ter tanto espaço para entrar na área. Se é certo que os vila-condenses passaram a defender melhor, é também verdade que não conseguiam sair com perigo para o ataque, sobretudo devido ao excesso de individualismo de Gabrielzinho, mas também porque havia sempre um passe que não saía.

Mas tudo acontece quando as coisas correm mal, o Sporting que o diga. Um mau passe de Wendel, com o lateral Rosier subido em ação ofensiva, permitiu que a bola chegasse a Ronan, que foi por ali fora, entrou na área e rematou para o fundo da baliza de Luís Maximiano. O Rio Ave estava em vantagem no primeiro remate que fez na partida.

A resposta surgiu pouco depois através de um livre de Bruno Fernandes, que desviou num defesa contrário e traiu Paulo Vítor. O empate estava feito e logo a seguir o capitão quase voltava a marcar, num remate de longe que o guarda-redes deixou escapar, mas a bola saiu para fora.

Battaglia lesionado e leão em pânico

Ainda antes do intervalo, nova má notícia para os leões quando Battaglia foi obrigado a deixar o campo devido a uma nova lesão.

O início do segundo tempo mostrou um Sporting com mais velocidade e a conseguir criar várias situações perigosas, mas faltava o acerto na finalização. Com o passar do tempo, o nervosismo foi apoderando-se dos jogadores leoninos que por isso foram perdendo lucidez.

Até que ao minuto 83, um dos raros ataques do Rio Ave lançou o pânico na defesa sportinguista, até que apareceu Lucas Piazón a rematar para o 2-1, dando mais um golpe duríssimo numa equipa que animicamente está de rastos e que sentiu na pele a contestação dos adeptos, que nos últimos minutos visou o presidente Frederico Varandas.

Termina assim o curto consulado de Leonel Pontes à frente da equipa, com um saldo de um empate e três derrotas. Curioso é que a 31 de agosto tinha sido precisamente o Rio Ave a "despedir" Marcel Keizer depois de vencer por 3-2 em Alvalade, agora volta a ser a equipa de Carlos Carvalhal a marcar o fim de ciclo do treinador interino... segue-se Jorge Silas, que tem muito trabalho pela frente.

VEJA OS GOLOS DA PARTIDA

FICHA DO JOGO

Sporting - Luís Maximiano; Rosier, Tiago Ilori, Luís Neto, Cristián Borja; Bruno Fernandes, Battaglia (Eduardo Henrique, 45'), Wendel (Luiz Phellype, 76'), Marcos Acuña; Jesé Rodríguez (Jovane Cabral, 85'), Vietto
Treinador: Leonel Pontes

Rio Ave - Paulo Vítor; Borevkovic, Messias, Junio Rocha; Diogo Figueiras (Carlos Mané, 67'), Tarantini (Filipe Augusto, 46'), Jambor, Pedro Amaral; Gabrielzinho, Ronan (Bruno Moreira, 67'), Lucas Piazón
Treinador: Carlos Carvalhal

Cartão amarelo a Cristián Borja (58'), Bruno Fernandes (73') e Filipe Augusto (73')

Golos: 0-1, Ronan (32'); 1-1, Bruno Fernandes (35'); 1-2, Lucas Piazón (83')

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