"Sinto falta do futebol, não estou feliz. O Zé está cheio de fogo para voltar"

Numa entrevista à Sky Sports, o treinador português diz que apesar de pela primeira vez em 20 anos estar de férias em julho e agosto, não está desfrutar dos prazeres da vida e quer voltar rapidamente ao ativo.

José Mourinho está desesperado para voltar a trabalhar. O treinador português está sem clube desde dezembro, mês em que foi despedido do Manchester United, e numa entrevista à Sky Sports, revela que apesar de pela primeira vez há muitos anos estar a desfrutar de férias junto da família nos meses de julho e agosto, não se sente feliz. "Os meus amigos dizem-me para aproveitar o tempo, gozar julho, agosto, os meses que nunca tive. Mas honestamente não sou capaz de desfrutar. Não estou feliz o suficiente para desfrutar", confessa.

"Basicamente, esta é a primeira vez que tenho tempo para pensar, a primeira vez que estou em Setúbal no final de julho e princípios de agosto em mais de 20 anos. Tenho tempo para pensar, para repensar, e o que eu sinto é que o Zé está cheio de fogo para voltar. Sinto falta do futebol, eu tenho o fogo, eu tenho um compromisso comigo mesmo, com as pessoas que gostam de mim, com os fãs que tenho por esse mundo fora e com tanta gente que me inspirou", prosseguiu.

Mourinho está tão desejoso de voltar a trabalhar que considera que quando começar "vai ser como se fosse a primeira vez". "Não sinto que será mais um ano para juntar aos outros em que treinei e ganhei troféus. Por que isso é história, é museu", atirou, voltando a frisar as saudades que sente: "Até parece ridículo dizer. Com tantas coisas boas para fazer à minha volta, coisas que eu nunca tive a oportunidade de fazer durante anos porque não tinha tempo... mas a verdade é que não consigo gostar do meu tempo livre."

Sem nunca enunciar o nome dos clubes, Mourinho deu a entender na entrevista à Sky Sports que teve oportunidades para voltar a trabalhar - Benfica em janeiro e mais recentemente de um clube chinês -, mas que rejeitou por considerar que não eram a escolha mais acertada. "A coisa mais difícil para mim é dizer 'não' a algumas possibilidades. Eu tenho que trabalhar. Há dentro de mim um impulso de querer voltar a trabalhar. Tive oportunidades e dizer não foi muito, muito difícil. Porque disse não? Porque não eram desafios á altura do que eu queria. Quero ter o direito de escolher as pessoas que são mourinhistas. Os mourinhistas querem-me ver onde eu pertenço. Por isso tenho de ser paciente e esperar pela oportunidade certa."

Na mesma entrevista, Mourinho foi questionado se no futuro estava nos seus planos ser selecionador de Portugal. "Pode ser. Mas estar num cargo onde tenho um jogo por mês? Demasiado escritório. Pouco campo. Sem jogos. Esperar dois anos por um Europeu. Esperar dois anos por um Mundial... não. Continuo a dizer que não. Um dia talvez. Se não for Portugal, outro país. Quando vou a jogos de Europeus ou Mundiais sinto algo que me diz que um dia gostava de fazer isto."

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