"Senti a minha obrigação cumprida". Há 35 anos, Carlos Lopes vencia a maratona e chegava ao Olimpo

A 12 de agosto de 1984, Carlos Lopes conquistava a primeira medalha de ouro olímpica portuguesa, nos Jogos de Los Angeles.

Foi a 12 de agosto de 1984 que Carlos Lopes chegou isolado à meta na maratona dos Jogos Olímpicos de Los Angeles e, perante 90 mil espetadores, levantou os braços e deu a Portugal a primeira medalha de ouro olímpica da história do desporto no país.

"Lopes traz para Portugal primeira medalha de ouro" era a manchete do DN na segunda edição do jornal do dia seguinte, pois a corrida terminara já madrugada dentro em Portugal. O fundista português, que oito anos antes tinha conquistado a prata nos Jogos de Montreal, no Canadá, precisou de duas horas, nove minutos e 21 segundos para bater o recorde olímpico dos 42,195 quilómetros da maratona (marca que se manteria até aos Jogos de Pequim, em 2008). Aos 37 anos, não deu qualquer hipótese ao irlandês John Treacy nem ao britânico Charlie Spedding, que completaram o pódio. Tudo isto pouco mais de duas semanas depois de ter sido atropelado enquanto corria na Segunda Circular pelo então candidato à presidência do Sporting, Lobato Faria.

"Esta data é suficientemente valiosa para não me esquecer", diz Carlos Lopes ao DN, precisamente no dia em que se completam 35 anos do título olímpico. "São momentos únicos na nossa vida e trabalhámos para que fosse possível. Olho com gratidão pelo trabalho feito. Foram momentos únicos que também ajudaram a dar a conhecer Portugal ao mundo desportivo. Senti a minha obrigação cumprida. Ainda hoje é reconhecido por todos os portugueses", frisou o antigo atleta, natural de Vildemoinhos, em Viseu.

Três dias depois da glória em LA, o também especialista em corta-mato foi recebido de forma apoteótica no regresso a Portugal e teve direito a um churrasco em São Bento, oferecido pelo então Primeiro-ministro Mário Soares. Ainda nesse ano foi elevado a Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

No ano seguinte, em 1985, Lopes fez o melhor tempo na Maratona de Roterdão, na Holanda, e tornou-se recordista mundial da especialidade, com duas horas, 7 minutos e 12 segundos.

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