"Grande desgaste" e "muitas vezes" sem apoio, diz Rui Vitória

O antigo técnico do Benfica em entrevista à TVI diz que teve de dar a cara pelo clube muitas vezes e "sozinho" e que devia ter sido "protegido". Disse que tem uma "ótima relação" com Luís Filipe Vieira. E que não viu nenhum jogo do antigo plantel desde que se demitiu.

"Em três anos e meio fiz muita coisa bem no Benfica. Naquela altura houve um entendimento que seria melhor colocar o lugar à disposição". Esta é a explicação de Rui Vitória para ter colocado o cargo de treinador à disposição, o que levou à sua saída do clube a 3 de janeiro depois da derrota em Portimão, por 2-0, para a 15.ª jornada da Liga. Em entrevista ao Jornal das 8 da TVI, o antigo técnico do clube encarnado, que deixou a equipa na quarta posição na tabela classificativa, disse ter sentido que estava "sozinho" em muitas situações devido a "influências do exterior".

Reconheceu que existiu um "grande desgaste" provocando por questões externas, referindo-se aos casos "e-toupeira, mails" etc, que o levaram a ser muitas vezes "a cara do Benfica".

Sobre o seu trabalho nos seis anos que passou no Benfica salientou:"Tentámos levar este barco a bom porto", mas também reconheceu que estava sujeito a um "grande desgaste". No entanto, admitiu que um dia pode regressar ao clube. "Admito claramente voltar ao Benfica. Mantenho uma ótima relação como presidente [Luís Filipe Vieira]", salientou.

Para o novo técnico do Al-Nassr [Arábia Saudita] o Benfica tem "andado desfocado com coisas que andam à volta do clube" e por isso é necessário que no futuro "não sejam cometidos alguns erros que aconteceram comigo". Rui Vitória deixou algumas críticas à forma como algumas questões foram geridas pelos responsáveis benfiquistas e apesar de não as nomear sempre frisou que "quem treina o clube tem de ser protegido pelo clube".

O vencedor de seis troféus na Luz - duas Ligas, uma taça da Liga, uma Taça de Portugal e duas Supertaças - reconheceu que "nesta última fase no Benfica havia menos sentido de união. Hoje em dia vivemos de emoções e o benfiquista tem menos tolerância, habituou-se a ganhar".

Quando à sua forma de estar, sem alimentar polémicas, Rui Vitória explicou que não é "um candeeiro de rua. Não tenho necessidade de vir apregoar cá para fora. É a minha forma de trabalhar". E lembrou: "Há duas semanas [até à sua saída] o Benfica era a equipa com mais golos marcados".

Na entrevista à TVI garantiu que desde 3 de janeiro não viu nenhum jogo da antiga equipa e explicou: "Entendi que tinha acabado o ciclo. Desliguei e comecei a pensar no meu futuro."

Quanto ao seu sucessor, não quis alongar-se, mas sempre foi dizendo que considerava que tinha qualidade e que agora "terá a sua oportunidade". Mas, de seguida deu um recado: "Tem de ser protegido e a sorte tem de estar presente. Nesta altura o que espero é que alguns erros que foram cometidos comigo não o sejam com ele."

Ainda na análise à sua passagem pelo Benfica reconheceu que não recebeu todos os futebolistas que queria. "Se me perguntar se havia outros jogadores que queria é verdade", salientou para concluir: "Espero que o Benfica e os jogadores tenham o maior sucesso".

Quanto à ida para a Arábia Saudita, onde irá treinar o grande rival do Al-Hilal, atualmente comandado por Jorge Jesus que Rui Vitória tinha substituído no Benfica, o técnico disse que agora é "treinar com muita determinação e implementar as nossas ideias. Agradou-me a insistência para que eu e a minha equipa fossemos". O contrato é válido por uma época e meia com mais dois de opção e Vitória diz que vai pegar na equipa "com uma grande vontade de conquistar títulos".

Questionado sobre se já tinha falado com Jorge Jesus respondeu: "Não falei. Nesta altura é pouco importante."

A terminar deixou alguns alertas sobre o futebol nacional e a necessidade de alterar algumas situações. "O futebol português precisa de olhar com um olhar de helicóptero e pensar o que quer para o futuro. Toda a gente tem de se sentar à mesa e decidir o que quer. A dose de ódio que é criada tem de parar", concluiu.

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