Recusou treinar equipa num jogo, foi despedido e ganhou o lugar de selecionador sérvio

Ljubisa Tumbakovic recusou-se a orientar a seleção de Montenegro contra o Kosovo em junho e foi afastado do cargo. Coincidência ou não, menos de um mês depois estava a comandar a seleção do país onde nasceu

Portugal defronta neste sábado a Sérvia num jogo que vai marcar a estreia do selecionador Ljubisa Tumbakovic pela equipa dos balcãs. O treinador de 67 anos, que substituiu no cargo Mladen Krstajic, em julho, após a Sérvia ter sido goleada (5-0) pela Ucrânia, esteve envolvido numa enorme polémica no início do verão, quando na qualidade de selecionador de Montenegro e por razões políticas recusou orientar a equipa montenegrina diante do Kosovo.

Aparentemente, e de acordo com relatos da altura, Tumbakovic, de 66 anos, terá sido alvo de enormes pressões das autoridades sérvias, o seu país de origem, que não reconhece a independência de Kosovo. Além do treinador, também os jogadores Filip Stojkovic e Mirko Ivanic recusaram-se a jogar a pedido do seu clube, o Estrela Vermelha.

O jogo, realizado em Montenegro a 7 e junho, e relativo à fase de qualificação para o Euro 2020, terminou empatado a um golo e foi disputado à porta fechada por imposição da FIFA, que castigou os montenegrinos devido a comportamentos racistas dos seus adeptos num jogo anterior com a Inglaterra.

"A federação de Montenegro decidiu de forma unânime afastar o selecionador do cargo depois de este recusar-se a orientar a equipa no jogo. Além de ter sido uma desagradável surpresa, a decisão de Tumbakovic constitui uma quebra dos deveres profissionais estipulados no seu contrato", acusaram na altura os responsáveis montenegrinos, justificando que assuntos que nada tinham a ver com desporto acabaram por derrotar o desporto e o futebol em particular nesta ocasião.

Coincidência ou não, nem um mês depois da decisão por razões patrióticas de não orientar Montenegro diante do Kosovo, a federação sérvia nomeou-o a 1 de julho para selecionador, ele que já em duas ocasiões (na temporada 1994-95 e em 2011) tinha sido apontado ao cargo.

Em declarações à imprensa montenegrina, Dejan Savicevic, presidente da federação de futebol de Montenegro, revelou que Ljubisa Tumbakovic estava a chorar quando no dia do jogo com o Kosovo se reuniu com os jogadores para lhes comunicar que não ia estar presente na partida. E confidenciou que na véspera, o treinador já lhe tinha transmitido que não estaria presente se os jogadores Mirko Ivanic e Filip Stojkovic não atuassem, culpando o diretor do Estrela Vermelha, Zvezdan Terzic, de ter largado "uma bomba atómica no futebol de Montenegro", acusando este dirigente de ter sido o responsável pela campanha de chantagem que culminou com a saída de Ljubisa Tumbakovic.

Numa entrevista recente a um jornal sérvio, Tumbakovic reconheceu que quando treinava Montenegro e olhava para a qualidade dos jogadores que compunham a seleção da Sérvia pensava no sucesso que poderia ter se os orientasse. Mas recusou a ideia de que apurar a seleção sérvia para o Euro2020 seria a maior coroa da sua carreira: "Às vezes perguntam-me isso, mas respondo que não. A coroa seria treinar o Real Madrid ou o Manchester United. Este é um projeto nacional, onde coloco o país em primeiro lugar. Ficarei feliz se apurar a equipa para o Europeu 2020, mas não será um marco histórico individual."