Piloto alemã diz que vai "voltar mais forte" após aparatoso acidente em Macau

A jovem sofreu várias fraturas na vértebra, com compressão no sistema nervoso central, e após a operação passou nos testes de sensibilidade em todas as partes do corpo.

A piloto alemã Sophia Floersch, de 17 anos, que sofreu um aparatoso acidente no GP Macau de Fórmula 3 em automobilismo, garantiu esta terça-feira que vai "voltar mais forte", numa mensagem publicada nas suas redes sociais.

"Eu sobrevivi à operação que demorou 11 horas. Espero que daqui para a frente a situação apenas possa melhorar. Tenho de ficar mais uns dias em Macau até ser possível ser transportada. Quero agradecer a todos os meus fãs por todos os desejos de rápidas melhoras... isto motiva-me e dá-me muita coragem. Os meus pensamentos estão também com todos aqueles que estiveram envolvidos no meu acidente, espero que toda a gente esteja bem e saudável. (...) Vou voltar mais forte!", salientou Sophia Floersch.

Sophia Floersch é uma das cinco pessoas que continuam hospitalizadas no Hospital São Januário em Macau, na sequência de vários acidentes que ocorreram no Grande Prémio, que decorreu de quinta-feira a domingo, informou a equipa médica do hospital durante uma conferência de imprensa.

A jovem piloto, que fazia a sua estreia no Grande Prémio de Macau, despistou-se na terceira das 15 voltas da prova e embateu no carro do japonês Sho Tsuboi, ultrapassando os 'rails' de proteção na abordagem à curva do Hotel Lisboa.

"Como a paciente é muito jovem, a operação cirúrgica foi feita com muita atenção", sendo que "a operação foi bem-sucedida e os procedimentos foram favoráveis", informou o chefe do serviço de ortopedia do hospital, Lau Wai Lit.

A jovem sofreu várias fraturas na vértebra, com compressão no sistema nervoso central, e após a operação passou nos testes de sensibilidade em todas as partes do corpo.

"Temos confiança que não vai afetar a sua mobilidade no futuro" e "acreditamos que poderá correr outra vez", disse um dos médicos, sublinhando que o prognóstico ainda é reservado. Só quando estiver estável é que regressa para o país (...) vamos monitorizar o seu estado durante pelo menos mais duas semanas", informaram.

Durante a prova no sábado de motos do Grande Prémio de Macau, ganha pelo britânico Peter Hickman, aconteceu um despiste, envolvendo dois pilotos britânicos.

Um dos pilotos, disse a equipa médica sem especificar a sua identidade, uma sofreu uma fratura no pescoço, vértebra torácica, e deslocou o ombro esquerdo.

A corrida, disputada no icónico Circuito da Guia, traçado citadino de 6,12 quilómetros e considerado um dos mais perigosos do mundo.

"Esta é uma prova reconhecida pela FIA, e em que todas as medidas de segurança seguem as orientações de segurança daquela entidade e da Subcomissão Desportiva", disse o secretário para os Assuntos Sociais e Cultura e presidente da Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau, Alexis Tam.

O Grande Prémio de Macau inclui três corridas de carros -- as taças do mundo de Fórmula 3, GT e de carros de turismo (WTCR) -, bem como a 52.ª edição do Grande Prémio de motos, além da taça de carros de turismo de Macau e a taça da Grande Baía.

No próximo ano o evento volta ao território chinês entre os dias 14 e 17 de novembro.

.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...