"O Figo é melhor do que tu." Quando Ronaldo era gozado no Manchester United

O brasileiro Kleberson foi anunciado em 2003 no Manchester United no mesmo dia do avançado português. E diz em tom de brincadeira que foi a primeira e única vez que CR7 ficou em segundo plano numa apresentação.

O brasileiro Kleberson foi apresentado como reforço do Manchester United precisamente no mesmo dia que Cristiano Ronaldo, no verão de 2003. O português chegava do Sporting, ainda pouco conhecido internacionalmente, o brasileiro já com o rótulo de campeão do mundo conquistado um ano antes, sob o comando de Luiz Felipe Scolari.

As fotografias daquele dia documentam bem a apresentação conjunta, com os dois jovens no relvado de Old Trafford a segurar um cachecol do Manchester United e abraçados ao treinador Alex Ferguson. Numa reportagem da ESPN brasileira, o futebolista canarinho recordou esses primeiros tempos no clube britânico ao lado de Ronaldo.

"É engraçado. Foi a última e talvez a única vez em que o Ronaldo ficou em segundo plano numa apresentação. Eu era o jogador em que todos tinham interesse. O Ronaldo era uma promessa. Eu cheguei com o estatuto de campeão do mundo e de ter feito um belo jogo contra a Inglaterra (nos quartos-de-final do Mundial de 2002: vitória brasileira, por 2 a 1)", recordou Kleberson, hoje com 40 anos e já retirado do futebol, que na altura ficou apenas duas épocas no Manchester United e sem grande sucesso.

Na reportagem da ESPN, o jogador, que além do Mundial 2002 venceu ainda uma Taça das Confederações e uma Copa América pela seleção canarinha, recordou a amizade com Ronaldo e contou alguns episódios passados no balneário do clube inglês, em especial um que deixava CR7 bastante chateado.

"Na altura em que estávamos juntos no Manchester United, a equipa tinha jogadores que falavam espanhol, casos do Quinton Fortune [sul-africano] e do uruguaio Diego Forlán. Os dois foram importantíssimos na nossa adaptação ao United, pois sabiam como funcionavam as regras. Tínhamos uma brincadeira com o Fortune e o Forlán que o Ronaldo não gostava muito. Dizíamos ao Ronaldo 'o Figo é melhor do que tu'. O Ronaldo não gostava. Quando o Figo marcava um golo ou fazia uma jogada mais vistosa, a gente botava pilha", relatou.

O espelho no cacifo, famílias amigas e churrascos

Kleberson recorda que logo nos primeiros tempos tirou a pinta a Cristiano Ronaldo. "No primeiro treino em campo, era claro que ele ia estourar. Ele tinha 18 anos e uma qualidade técnica e uma criatividade incríveis. Ainda mais no futebol inglês, que não tinha tantos jogadores como ele. Dava para perceber facilmente que poderia dar certo no United", afirmou, recordando que já na altura o português era muito vaidoso: "Ele tinha um espelho no cacifo do balneário e estava sempre a olhar-se."

O jogador brasileiro que depois do Manchester United representou o Besiktas, o Flamengo, o At. Paranaense, o Bahia e alguns clubes dos Estados Unidos, recorda que o balneário dos red devils na altura tinha todo o tipo de personalidades. "Cada um vinha de um lugar. Tinha o grupo mais da bagunça, como o Cristiano Ronaldo, o Rio Ferdinand e o Fortune. Depois outros como Neville, Scholes, Giggs e o Keane, por exemplo, que eram mais sérios."

O facto de terem sido apresentados no mesmo dia e de falarem a mesma língua criou logo um laço de amizade entre Ronaldo e Kleberson. "Recordo-me de que quando cheguei ao Manchester para assinar contrato estava lá um empresário com um jogador português. E eu perguntei logo quem era aquele menino. Então contaram-me que tinha acabado de fazer um jogo de pré-temporada com o Manchester e tinha sido contratado", referiu, numa alusão ao célebre jogo de inauguração do novo Estádio de Alvalade, entre os leões e o Manchester United, no qual CR7 brilhou e convenceu Alex Ferguson a contratá-lo.

"Não tínhamos uma diferença de idades tão grande e o primeiro contacto foi sensacional, porque conversávamos mais por causa do idioma e tínhamos aulas de inglês juntos. Além disso ficámos ainda mais amigos porque as nossas famílias tornaram-se próximas. Fazíamos jantares e churrascos juntos. Um ajudava o outro no começo", contou Kleberson, que apesar de ter chegado aos red devils com mais cartel do que Ronaldo nunca se conseguiu impor e chegar nem de perto ao nível do avançado português.

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