"Muito bem planeado." O que Bruno de Carvalho já disse sobre o ataque "hediondo" a Alcochete

Desde o primeiro dia que o agora ex-presidente do Sporting garantiu não ter qualquer ligação à invasão da academia do clube.

Detido este domingo no âmbito da investigação policial à invasão da academia de Alcochete - tal como o chefe de claque da Juventude Leonina, Mustafá -, Bruno de Carvalho desde a primeira hora que se desassociou dos acontecimentos do dia 15 de maio, quando um grupo invadiu o centro de treinos do Sporting e agrediu jogadores e treinadores.

Embora os tivesse repudiado no próprio dia, o agora ex-presidente do clube começou por desvalorizar os incidentes, chegando a dizer que "o crime faz parte do dia-a-dia". No entanto, com o passar dos dias o então presidente do Sporting passou a apelidar a invasão como um "ato bárbaro e hediondo de terrorismo" e a considerar os jogadores como sendo da sua família.

Recorde tudo o que Bruno de Carvalho disse ao longo dos últimos seis meses acerca do ataque.

15 maio: "Foi chato"

"Tenho de repudiar todas estas situações. Isto não é frustração, é crime público. E quero pedir, sobretudo, calma ao universo sportinguista. Isto foi chato e temos de nos habituar que o crime faz parte do dia a dia. Já ouvi uma série de teorias mirabolantes, uma delas sendo que este é o meu modus operandi, porque nas Assembleias Gerais não deixo quem quer falar mal, falar. É falso. O meu modus operandi não é gostar de ver atletas e staff, que são a família que escolhi, serem agredidos", afirmou à Sporting TV horas depois da invasão.

19 maio: "Origem não foi no presidente"

Na véspera da final da Taça de Portugal diante do Desp. Aves, a que o então presidente leonino acabaria por não assistir ao vivo, marcou uma conferência de imprensa no Estádio José Alvalade onde atribuiu responsabilidades aos jogadores: "Aquele ato teve uma origem e não foi no presidente. Teve início na Madeira, quando foram ditos impropérios por parte de alguns jogadores. Foi dito por um dos ex-líderes da claque Juventude Leonina que ia falar com os atletas que o insultaram no aeroporto. Algo que se resolvia com uma conversa. Foi um ato bárbaro e hediondo de terrorismo. Vocês conseguiram aproveitar-se de um homem que estava em estado de choque e conseguiram colar à opinião pública que o que eu disse é que era chato e que o crime fazia parte do dia-a-dia. Manipular, tirar do contexto e desonrar um homem honrado. Eu não estava na Academia porque estávamos a analisar as notícias hediondas do Cashball. Eu poderia lá ter estado com feridas e hematomas. Eu iria lá estar."

28 julho: "Foi tudo muito bem planeado"

"Acho que isto foi tudo muito bem planeado, e apesar de ser um crime, tenho de tirar o chapéu a quem fez o planeamento. Foi ao detalhe. A casa e a família que foi a atacada foi a minha, porque a Academia é a minha casa e os jogadores a minha família, já o disse várias vezes. Mas a compreensão foi toda para um lado e as dúvidas ficaram todas para o outro", comentou, em entrevista ao Sol, cerca de um mês após ter sido destituído de presidente.

31 julho: "Não preciso de fivelas"

Em entrevista à Sport TV +, Bruno de Carvalho puxou a cassete atrás e narrou a sequência de acontecimentos no dia 15 de maio para justificar que não teve qualquer ligação à invasão à academia: "O que pergunto é: se foram avisados sete minutos antes, se eles ainda tiveram de entrar, percorrer um longo caminho a pé, foram ao relvado, depois zona de balneários, deram pontapés nas portas e ainda arrombaram com os dedos a terceira, se há uma porta que dá acesso ao corredor interno para a zona da formação e uma porta ali para a rua, por que é que os jogadores não foram todos embora? Enquanto a polícia chegava, os jogadores já lá estavam fora. Têm de perguntar aos responsáveis, à polícia. Mas o que eu digo é: fui eu? Quem deu ordem de tirar nestas duas portas o controlo de cartão no início da época? Alguém deu. De certeza que isso está tudo no processo com a polícia. Tudo isto é de uma estranheza total e se alguém tinha alguma coisa a perder era o presidente. Isto não faz sentido nenhum. Eu acho que a polícia já sabe que houve um executante, um mandante e um pagante. Nunca me entregaria a nenhum grupo do Sporting. No dia em que se pede um favor desses, as pessoas passam a ter poder sobre nós. Eu se quiser dar um apertão a 24 jogadores, eu chego sozinho. Não preciso de fivelas, não bato em ninguém e dou os apertões todos."

20 agosto: "Nada tive a ver"

Após uma vitória da equipa principal em Alvalade frente ao Vitória de Setúbal, em partida da 2.ª jornada da I Liga, Bruno de Carvalho confessou no Facebook ter enviado uma mensagem aos jogadores depois do jogo: "Sim escrevi: 'Boa tarde. Achas que quem está assim com os atletas como família lhes faz mal? Nada tive a ver com o ataque à academia e sempre vos defendi perante todos os que vos queriam fazer mal! Boa vitória hoje! o Sporting merece, os Sportinguistas merecem! Vamos todos viver em união, segurança, paz e estabilidade. Forte abraço. Bruno de Carvalho."

11 outubro: "Consciência tranquila"

Precisamente um mês antes de ser detido, a 11 de outubro, Bruno de Carvalho dirigiu-se ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), manifestando-se disponível para prestar declarações na sequência de "rumores" de que estaria iminente a sua detenção. "Desejo colaborar em todos os processos com todo o conhecimento que tenho dos assuntos, com todas as dúvidas que tenho dos assuntos. Estou disponível para a justiça. Tenho cinco anos e meio de Sporting, estou de consciência totalmente tranquila em todos os assuntos; auditorias forenses, cashball... a minha consciência não podia estar mais tranquila", afirmou aos jornalistas, após ter estado em silêncio durante o primeiro mês do mandato de Frederico Varandas.

25 outubro: "Não preciso de 50 marrecos"

Num tom mais descontraído, no 5 para a Meia Noite, programa da RTP 1, Bruno de Carvalho reiterou a sua inocência: "Jamais, em tempo algum, pela minha personalidade, nem de forma direta ou indireta, criaria qualquer problema a um jogador. As pessoas conhecem-me um pouco mal. Se quiser confrontar uma equipa não preciso de 50 marrecos com capuz, basto eu e o balneário vai todo ao ar."

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