Mourinho garante que dorme com o pijama do Tottenham

O treinador português foi apresentado no seu novo clube e garante estar absolutamente comprometido nos Spurs. Garantiu que não quer reforços e que está muito contente com os jogadores que tem. Só tem de perceber por que a equipa não tem conseguido bons resultados na Premier League.

O passado ao serviço do Chelsea dominou parte da apresentação de José Mourinho como técnico do Tottenham, sucedendo a Mauricio Pochettino. "Senhor Chelsea? Os adeptos têm de ver como o sr. Inter, sr. Real Madrid ou sr. FC Porto. Os adeptos têm de me ver como o senhor Clube, o que quer dizer que visto o pijama do clube e ainda durmo com ele. Para ter esta aventura e trabalhar em diferentes países e fazer o que chamo de Grand Slam: vencer em Espanha, Itália e Inglaterra. Não quero parar", defendeu o técnico de 56 anos avançando que a Premier League é o seu campeonato de eleição.

"A Premier League é o meu habitat natural. Considero o melhor campeonato e onde me sinto mais feliz e confortável. Arsène Wenger foi provavelmente o último de uma geração de treinadores heróis. Foi realmente incrível o Maurício Pochettino ter estado cinco anos e meio aqui. Não me surpreenderia se amanhã se tornasse treinador de outro clube inglês. O futebol moderno é mesmo assim", justificou Mourinho a quem já chamam de Spurcial one, juntando a alcunha do clube (spurs) e do português (special one).

Este ano o clube está em 14.º e os objetivos passam por melhorar essa posição, mas Mourinho apontou já ao título na próxima época:"Não podemos ganhar a Premier League este ano. Podemos, não estou a dizer que vamos, mas podemos ganhar na próxima época."

Mourinho garantiu ainda não precisar de reforços no mercado de janeiro. "Não preciso de jogadores. Estou satisfeito com aquilo que tenho, apenas preciso de mais tempo com eles", assumiu, revelando aquilo que disse ao plantel no primeiro encontro: "Disse-lhes que eles foram uma das razões pela qual decidir vir para o clube, porque quando estava noutros clubes tentei contratar alguns deles e não consegui, outros nem tentei porque era impossível. O que quero é respeitar a base do trabalho feito nos últimos cinco anos, como tal quero perceber por que razão os últimos resultados na Premier League não foram bons. Não estou aqui para fazer mudanças radicais e criar confusão na cabeça dos jogadores. Serei muito cuidadoso."

O Tottenham é o terceiro clube do português em Inglaterra, depois de Chelsea e Manchester United. "O meu clube é o Tottenham. Não sou do Chelsea, Man. United, Real Madrid ou Inter. Sou de todos eles. Dei tudo por todos eles e vou fazer o mesmo aqui", afirmou Mourinho, garantindo estar preparado para ter sucesso.

E nem o facto de ter estado quase um ano sem treinar - depois de ter sido despedido do Manchester United - atormenta na nova aventura inglesa: "Acho que os últimos meses não foram desperdício de tempo. Foram para preparar e para antecipar problemas. Isso não muda a tua natureza. Deu-me tempo para pensar em muita coisa. E sei que não vou cometer os mesmos erros, mas vou cometer outros erros. Estou mais forte do ponto de vista psicológico. Estou forte e preparado para equilibrar esta equipa."

Confrontado com o despedimento do United em dezembro de 2018 e do alegado mal estar entre o técnico português e alguns jogadores do plantel dos red devils: "Uma das coisas que aprendi e que as pessoas que trabalham comigo também têm de aprender é que às vezes tens de trabalhar com pessoas de quem não gostas. Tens de trabalhar e bem. Outra coisa é que as pessoas que trabalham contigo e para ti, têm de aprender a manter os teus princípios. E há princípios que não podes perder. E um desses princípios é que eu não gosto de perder."

E não há nada que o afeta mais do que a ausência de vitórias: "Quando não ganho, não consigo estar contente. E não consigo motivar os meus jogadores. Se ficas feliz quando perdes, vai ser difícil ter sucesso nesta profissão."

O português deixou ainda algumas palavras ao antecessor: "Tenho de falar do Mauricio, parabéns pelo trabalho que ele fez. Partilhar o que já falámos. Este clube vai ser sempre dele, pode sempre voltar. A porta está sempre aberta para quando sentir saudades dos jogadores. Amanhã é outro dia, ele vai arranjar um clube à altura dele. Tem um grande futuro como treinador. Esta é a nossa vida."

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