Morreu David Stern, o cérebro por trás da globalização da NBA

O antigo comissário e uma das figuras mais emblemáticas da Liga Norte-americana de Basquetebol (NBA) David Stern morreu esta quarta-feira, aos 77 anos, em consequência de uma hemorragia cerebral sofrida em 12 de dezembro, informou a NBA.

David Stern, o cérebro por trás da transformação da NBA numa das competições deportivas com maior alcance mundial, morreu nesta quarta-feira aos 77 anos, depois de sofrer uma hemorragia cerebral no mês passado, informou a própria NBA.

À frente da liga entre 1984 e 2014, ele deixou a gigante entidade americana do basquetebol quando se aposentou, a 1 de fevereiro de 2014, e passou o comando para o atual comissário Adam Silver. "David assumiu a NBA em 1984, com a liga numa encruzilhada, mas durante seus 30 anos como comissário ele transformou a liga na NBA do mundo moderno", afirmou Silver em comunicado.

"Ele foi pioneiro em parcerias com os media e marketing, ativos digitais e programas de responsabilidade social que levaram o jogo a milhões de pessoas em todo o mundo", acrescentou.

Stern estimulou o apoio de empresas à NBA e assumiu o comando no mesmo ano em que o astro Michael Jordan, considerado o melhor jogador de todos os tempos, iniciou a sua lendária carreira.

Stern era tão 'apaixonado' pelos jogadores como pelo jogo e entendeu que o sucesso planetário da NBA dependia principalmente do protagonismo dos atletas. Nos bastidores, ele tratou de fazer o resto.

Filho de um comerciante, nascido em Nova Iorque em 22 de setembro de 1942, formado em Direito pela Universidade de Columbia em 1966, começou a exercer a profissão no mesmo ano e tornou-se consultor jurídico da Proskauer Rose, representante da NBA.

Stern ingressou na Liga em 1978 como consultor geral, antes de assumir o cargo de vice-presidente executivo em 1980. Quando foi nomeado comissário, em 1984, sucedendo Larry O'Brien, a NBA enfrentava dificuldades, sufocada por problemas financeiros, rejeitada pelo público que preferia futebol americano e basebol a ponto de certas partidas na final terem sido adiadas. Assinou acordos com rede de TV por cabo para renegociar melhor os direitos de televisão com os canais americanos, enquanto exportava a NBA para outros mercados.

Ele também entendeu que a participação dos melhores embaixadores da liga nos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona, poderia impulsionar a internacionalização da NBA, com o primeiro "Dream Team".

Ao contrário da NFL (futebol americano) e da MLB (basebol), a NBA não parou no mercado norte-americano. Deu um salto para a Europa, Ásia, América Latina, realocando jogos e recrutando jogadores nesses mercados.

Stern também aumentou o número de equipas de 23 para 30 e transferiu algumas, o que ajudou a aumentar a receita da Liga e dos jogadores.

Isso não o impediu de ter que lidar com as interrupções das temporadas 1998-1999 e 2011-2012, com longas greves promovidas pelos jogadores.

No entanto, o sucesso económico da NBA na sua era é incontestável: em 1983, pouco antes de assumir o comando, a faturação geral da Liga foi de 118 milhões. Trinta anos depois, era de 4,8 mil milhões.

Em 2014, Stern, que também soube tirar proveito de todo o potencial da internet e das redes sociais, mostrou o seu orgulho, com bom humor, ao apertar a mão de Adam Silver, o atual comissário.

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