Meirim garante: "Estamos em cima do e-toupeira"

Presidente do Conselho de Disciplina da FPF diz que não vê risco de prescrição: "A existirem sanções, são muito graves e o prazo é dilatado"

José Manuel Meirim garante que o Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) está "em cima do processo" e-toupeira, que decorre na justiça civil e tem a SAD do Benfica acusada de corrupção desportiva e oferta ou recebimento indevido de vantagem, bem como de outros processos como o dos e-mails (também a envolver o Benfica) e o Cashball (Sporting).

Para o jurista que lidera o CD há dois anos, "é necessário que os instrutores não deixem de acompanhar estes processos em tribunal, para que a todo o momento possam saber aquilo que podem usar, ou não, para incorporar no processo disciplinar", diz, admitindo que o inquérito disciplinar que o seu órgão mandou abrir ao Benfica na sequência do caso e-toupeira depende muito do que for provado em tribunal civil.

"O Ministério Público e a PJ é que podem recorrer a meios de prova que nós não podemos utilizar; o exemplo clássico disso são as escutas", refere, em entrevista ao jornal desportivo O Jogo publicada esta quinta-feira. "O que temos no relatório, e tivemos uma ação muito forte nesse sentido, é estar em cima do processo", sublinha, minimizando o risco de o caso prescrever na justiça desportiva por se arrastar muito tempo nos tribunais. "Não me parece que possa prescrever. Em princípio, a existirem sanções são muito graves e o prazo é dilatado".

Meirim considerou ainda um perigo tentar acelerar os desfechos destes casos na justiça desportiva, lembrando o que aconteceu no passado [em referência indireta ao Apito Dourado]: "Todos estarão lembrados de processos anteriores em que tudo acabou por ser abreviado e o resultado final foi nulo, entre 2004 e 2006"

Porta fechada cumpre regulamentos

O presidente do CD da FPF comentou ainda a recente decisão do órgão em punir com um jogo à porta fechada Benfica, Sp. Braga e Paços de Ferreira, por maus comportamento dos adeptos. Meirim diz que os casos justificavam a sanção e que se limitaram a cumprir os regulamentos que os clubes aprovaram.

"Desde os primeiros relatórios...este é o 13º, mas já no final da primeira época tínhamos avisado que uma das preocupações tinha a ver com o comportamento dos adeptos, aliada ao ataque através de gestos, declarações e pressões aos elementos de equipas de arbitragem. Foram os dois blocos centrais, desde o início, em que se manisfestavam sérias preocupações para o exercício do Conselho de Disciplina. O que se fez ontem [terça-feira] foi aplicar as normas regulamentares. Os casos justificavam a decisão. Foram percorridos todos os passos e no final tirámos a conclusão que vocês conhecem", comentou.

"A intenção de controlar, vigiar ou atuar sobre os adeptos, principalmente os de risco, é algo que tem des estar plasmado nas regras que os próprios clubes aprovam. As medidas estão à vista. Há a intenção política. O Conselho de Disciplina não cria as regras, aplica as regras. Bem, mal, sendo alvo de críticas justas ou injustas, etc, mas aplica as regras", acrescentou, notando que "os clubes recorrem das regras que aprovaram" - como Benfica e Sp. Braga já anunciaram ir fazer.

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