Stéphanie Frappart, a primeira mulher a arbitrar na I Liga francesa

Stéphanie Frappart tornou-se esta terça-feira na primeira mulher designada para dirigir um jogo da Liga francesa de futebol, caso do encontro entre Amiens e Estrasburgo, no domingo, da 34.ª jornada.

"No âmbito da sua preparação para o Mundial feminino de 2019, a árbitra francesa foi designada pela direção da arbitragem da FFF [Federação Francesa de Futebol] para dirigir na próxima ronda da Ligue 1", refere a federação, a propósito da competição que se vai realizar em França, de 7 de junho a 7 de julho.

A decisão da FFF, surge depois de a FIFA apelar a que as federações com árbitros no Mundial feminino possam oferecer a estes as melhores condições de preparação técnica, atlética e na assistência vídeo.

No jogo de domingo do campeonato, Stéphanie Frappart, de 35 anos, e que desde 2014 apita jogos da II Liga francesa, contará com o apoio do árbitro internacional francês Clément Turpin no videoárbitro, num feito assinalado pelo português Paulo Sousa, treinador do Bordéus, no Instagram. "Histórico. O futebol está ao alcance de todos", escreveu no Instagram.

Única em mil a viver da arbitragem

Além dos cinco anos de experiência no segundo escalão gaulês, a árbitra de Val-d"Oise, nos arredores de Paris, esteve no Mundial feminino de 2015, no torneio feminino dos Jogos Olímpicos de 2016, no Campeonato da Europa feminino de 2017 e dirigiu a final do Mundial feminino sub-20 no ano passado.

A paixão pelo futebol surgiu em tenra idade e a curiosidade em aprender mais sobre o jogo levou-a para arbitragem. "Comecei a jogar futebol no pátio da escola quando tinha nove ou dez anos. Depois foi a um clube para praticar e rapidamente quis aprender as regras. Depois tirei o curso e comecei a arbitrar jogos de futebol feminino e de futebol de formação em Val-d'Oise. Na altura, jogava e apitava", contou, numa entrevista concedida em setembro de 2016 ao Le Nouvelle République .

Porém, perante o pouco desenvolvimento do futebol feminino quando tinha 18 anos, optou definitivamente pela arbitragem. Daí para cá, tem subido a pulso e confessa sentir-se respeitada. "Há respeito. Provavelmente a abordagem e as palavras são diferentes por ser mulher. A contestação existe, mas talvez os jogadores tenham mais paciência comigo do que com outros árbitros", admitiu.

Agora, vai realizar um sonho, o de arbitrar na principal liga francesa, um objetivo de longa data. Na entrevista concedida há quase três anos, assumiu o objetivo, mas não mostrou ter pressa. "A velocidade, o impacto e a cobertura da comunicação social são diferentes. É preciso muita experiência", frisou a única mulher, entre mil, capaz de viver da arbitragem, graças a um salário fixo ao qual se juntam subsídios de jogo.

Antes dela, apenas três mulheres arbitraram na liga francesa, mas como árbitras assistentes: Nelly Viennot, Corinne Lagrange e Ghislaine Perron-Labbé.

Bibiana deu o mote na Alemanha

A notícia da estreia de Stéphanie Frappart na liga francesa surge quase dois anos depois de a alemã Bibiana Steinhaus se ter tornado a primeira árbitra a atuar num grande campeonato profissional, durante a partida entre o Hertha Berlim e o Werder Bremen. "Alguém teria de ser a primeira. Tocou-me a mim, podia ter sido outra. Mas trata-se de um bonito desafio para alguém cujo maior sonho era apitar na Bundesliga", afirmou na altura, em setembro de 2017.

Comissária da polícia e companheira do ex-árbitro inglês Howard Webb, não deu grande importância à questão do sexismo. "Nunca foi o meu objetivo ser um exemplo da emancipação das mulheres, mas sim arbitrar bem. Isso é o que me importa", afirmou, três anos depois de se ter imposto perante Pep Guardiola, quando este lhe agarrou a mão e lhe pôs a mão no ombro, avisando-o para não o fazer e ordenando para que o então treinador do Bayern Munique se afastasse.

Porém, nem tudo são rosas para a arbitragem feminina. Em 2015, Bibiana eu ordem de expulsão ao jogador Kerem Demirbay, num jogo entre o Fortuna de Dusseldorf e o Estugarda, e este fez-lhe um gesto feio, além de a ter criticado no final do jogo: "As mulheres não têm nada que apitar jogos de futebol."

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG