Rafa rejeita Liga Europa certa em vez de incerteza na Champions

"Nenhum jogador está aqui a pensar na Liga Europa. Estamos a disputar a Liga dos Campeões e é o que vamos fazer. Queremos ganhar amanhã e o próximo jogo", disse

O futebolista Rafa disse esta segunda-feira que não troca a presença certa do Benfica na Liga Europa pelo risco de falhar a continuidade na Liga dos Campeões de futebol.

"Nenhum jogador está aqui a pensar na Liga Europa. Estamos a disputar a Liga dos Campeões e é o que vamos fazer. Queremos ganhar amanhã [terça-feira] (visita ao Bayern Munique) e o próximo jogo (em casa com o AEK Atenas)", sublinhou.

À entrada da quinta jornada, os alemães lideram o grupo E com 10 pontos, seguidos dos holandeses do Ajax com oito, enquanto o Benfica soma quatro e os gregos do AEK ainda não pontuaram.

"Queremos ganhar todos os jogos e sabemos que é sempre mais fácil trabalhar em cima de vitórias do que de empates ou derrotas. Temos de jogar para ganhar. Passa por aí e mais nada", reforçou o avançado, na antevisão ao encontro frente a um rival que os 'encarnados' nunca contrariaram na Alemanha.

O Benfica está obrigado a vencer para manter as aspirações de atingir os 'oitavos', sendo que pode entrar no Allianz Arena com o terceiro posto e a Liga Europa já garantidos, se, antes, o AEK perder na receção ao Ajax -- aos germânicos, quintos classificados no seu campeonato, basta o empate para a qualificação.

"Não vejo isso dessa forma (Bayern Munique fragilizado). É uma grande equipa, como nós. Todos passamos por maus bocados, sabemos como isso é. Estamos aqui para ganhar o jogo, que é o que nos interessa", sintetizou.

Rafa discordou com quem entende ser esta a sua melhor época no Benfica e desvalorizou a questão tática em '4x4x2' ou '4x3x3', considerando que cabe aos jogadores "adaptarem-se" ao que o treinador Rui Vitória pede.

"Estou preparado para jogar, como todos. Sabemos bem o que temos de fazer e podemos explorar para criar dificuldades ao Bayern e é isso que vamos fazer", concluiu.

O Benfica defronta o Bayern Munique pelas 20:00 de terça-feira, no Allianz Arena, em jogo da quinta jornada do grupo E da Liga dos Campeões, que será arbitrado pelo italiano Daniele Orsato.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...