Kathleen, a poderosa mulher do Bayern que Guardiola quis levar para o City

Foi futebolista até aos 24 anos e em 2009 foi convidada pelo presidente para ser team manager do clube de Munique. Desde então, ganhou a admiração dos treinadores e jogadores, que reconhecem o seu papel fundamental para manter a equipa unida.

Kathleen Krüger é a mulher mais poderosa do Bayern Munique, um dos maiores clubes de futebol do mundo. Não, não é presidente, mas é uma espécie de faz-tudo para que craques como Manuel Neuer, Philippe Coutinho ou Lewandowski só se tenham de preocupar em mostrar o seu talento nos relvados.

Assumiu o cargo de team manager em 2009 e desde então resistiu a mudanças de treinadores e diretores desportivos. "É ela que mantém a equipa unida. Não importa que problemas possamos encontrar", afirmou Thomas Müller, um dos capitães dos bávaros, ao jornal Sport Bild.

Trata-se de uma espécie de chefe silenciosa, que faz da eficiência e da discrição o principal trunfo. A maior prova da sua importância na equipa é o facto ser a única pessoa fora do plantel a fazer parte do grupo de Whatsapp exclusivo dos futebolistas do Bayern, a que estes puseram o nome de "Infos Kathleen". Ninguém tem esse privilégio. É através daquela aplicação que são transmitidas todas as informações indispensáveis, mas também piadas e fotos... "Normalmente fico calada, mas também sorrio porque é óbvio que muitas das fotos e frases que eles enviam são engraçadas", admitiu a team manager, de 34 anos, à revista 51, a publicação oficial do Bayern Munique.

O desporto sempre fez parte da vida de Kathleen Krüger. Na infância praticou karaté e futebol, até que um dia teve de escolher e optou pelo desporto coletivo, por causa do "espírito de equipa". "Eu sempre me senti bem fazendo parte de uma equipa", explicou.

O dia em que ganhou o jackpot

Foi assim que aos 18 anos trocou o Wacker Munique pela equipa feminina do Bayern, o clube do coração cujos jogos se habituou a ver na bancada sul na companhia do pai e do irmão, também eles fanáticos adeptos do clube bávaro. Um ano depois, Kathleen estava a fazer a estreia pela equipa principal na Bundesliga feminina, mas aos poucos as suas prioridades mudaram e, aos 24 anos, decidiu pendurar as chuteiras. "Tinha pouco dinheiro no bolso apesar de tanto esforço", justificou, razão pela qual foi estudar gestão internacional ao mesmo tempo que ficou responsável pela logística da equipa feminina.

No entanto, um semestre volvido tudo mudou. "Foi como se me tivesse saído o jackpot", conta. Em 2009, o antigo futebolista Christian Nerlinger tinha assumido o cargo de diretor desportivo do Bayern Munique e precisava de um assistente. Foi o início de tudo. Certo dia, o presidente Uli Höness chegou junto dela e perguntou-lhe se queria ocupar a vaga que estava em aberto. Nem pestanejou. Esteve primeiro três meses à experiência, mas de lá não saiu mais.

Desde então tornou-se a responsável máxima pela organização das viagens e de toda a logísitica da equipa, uma peça indispensável para os treinadores. Mas não é só. Se algum jogador sofrer um acidente de trânsito ou estiver atrasado para o treino é para Kathleen que telefonam. É ela que trata de tudo o que for indispensável para o funcionamento da equipa e está disponível 24 horas por dia, sete dias por semana para responder "a todas as solicitações" dos futebolistas. Descanso? Só no Natal e durante alguns dias nas férias de verão.

"O meu trabalho é exigente e consome muito tempo, afinal passo mais horas com a equipa do que com os meus amigos ou a minha família, mas foi este o acordo que fiz. Não reclamo porque adoro fazer meu trabalho", frisou à revista 51.

Foi salva por Heynckes. Guardiola quis levá-la

A sua importância era tão grande que em 2012, Matthias Sammer assumiu o cargo de diretor desportivo e quis demiti-la. Ao saber disso, o treinador Jupp Heynckes, que em tempos orientou o Benfica, foi direto ao presidente e disse-lhe: "Se a Kathleen for embora eu também vou". Estava resolvido o problema. Sammer acabou por recuar, acabando por se render ao trabalho da única mulher com funções numa equipa da Bundesliga.

Mas não foi apenas Heynckes a declarar a sua admiração por Kathleen. O próprio Pep Guardiola, que orientou o Bayern entre 20913 e 2016, gosta tanto do seu trabalho que quis levá-la para o Manchester City. Ela não quis ir, mas antes da partida para Inglaterra, Domènec Torrent adjunto do treinador espanhol, deixou-lhe uma mensagem no escritório: "Estarás sempre no meu coração."

Menos cordial foi a relacionamento com Giovanni Mauri, adjunto do italiano Carlos Ancelotti, que Kathleen teve de repreender quando o apanhou a fumar durante um treino em frente dos jogadores. É a sua forma de lidar com as situações, de forma direta, que lhe permite ter o respeito de todos, sobretudo dos jogadores.

Confidente dos jogadores, só não fala de táticas

Se as suas funções já eram muito abrangentes, em 2018 o técnico croata Niko Kovac assumiu a equipa e quis que ela passasse a coordenar todas as comunicações durante os jogos entre médicos e fisioterapeutas. Na prática passou a funcionar como elo de ligação, que depois transmite ao treinador principal. Kathleen deixou de ser tão discreta e agora é possível vê-la mais ativa junto do relvado, até porque também é ela que está encarregue de dar os números dos jogadores ao quarto árbitro no momento das substituições.

"Ela também entra na convocatória", sublinhou já este ano o treinador Hans Dieter-Flick. Além das responsabilidades que tem, Kathleen Krüger ainda aplaude e encoraja-os os jogadores junto ao relvado.

Na semana passada, a team manager participou no podcast do Bayern, onde revelou ter um relacionamento mais próximo com os jogadores Serge Gnabry, David Alaba e Joshua Kimmich. "Por vezes, antes dos treinos, ficamos à conversa sobre assuntos particulares. Estou sempre disponível para ouvir todos os jogadores", assumiu Kathleen Krüger, que na prática assume também um papel de confidente do craques... afinal ela sabe do que eles falam e como se sentem, pois também foi jogadora. Talvez por isso seja tão valorizada por toda a equipa.

Há, no entanto, um assunto que Kathleen garante não falar com os atletas: os aspetos táticos. Mas há uma exceção: "Só conversamos sobre isso quando estou sentada ao lado de um jogador no banco e ele começa a resmungar."

Em 2017, numa entrevista ao site da Bundesliga, o francês Franck Ribéry referiu-se a Kathleen Krüger como "uma mulher autoconfiante, independente e forte", que "não quer ser melhor que ninguém e sabe o que é capaz de fazer". "Somos muito privilegiados por tê-la connosco, porque sem ela, provavelmente, metade dos jogadores iriam perder-se", sublinhou o internacional francês, que atualmente representa a Fiorentina, após 12 épocas ao serviço do Bayern Munique.

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