João Sousa tenta recuperar a 100% na quarentena

Mesmo com a suspensão do circuito ATP, o tenista português tem-se mantido otimista, mas preocupado com os restantes atletas, perante a pandemia do covid-19.

João Sousa, tenista português que festeja os 31 anos no final de março, está de regresso a Guimarães, onde tem cumprido quarentena, devido à pandemia provocada pela covid-19, e está a tentar recuperar a 100% da lesão no pé esquerdo, contraída no final da época passada. Com o circuito ATP suspenso até 7 de junho, face ao coronavírus, optou por juntar-se à família em Portugal. "Tenho feito quarentena em casa dos meus pais, tem sido uma experiência diferente. Não sair de casa tem sempre os seus prós e contras, mas temos lidado bem com a situação e acredito que vai correr tudo bem", afirmou em entrevista à Lusa.

Apesar de assegurar que já "estava quase recuperado" da fratura de esforço no pé esquerdo, o minhoto, admite que a paragem forçada pode ser benéfica para a sua condição física. "Por um lado, recuperar a 100% desta lesão é bom. Por outro, como já estava quase a 100% e já me estava a sentir a voltar a jogar a um bom nível, foi mau porque deixei de competir.", justifica.

Satisfeito por estar em casa, João Sousa reconhece, contudo, que a "situação não tem sido a ideal, já que neste momento deveria estar a competir em Miami", no Masters 1000 que estava agendado para esta semana. "Esta situação está a ser atípica, nunca tinha acontecido isto no nosso circuito, nem no mundo, que eu me lembre. É um mal maior, uma situação em que todos estamos em perigo. Não tenho receio, nem sinto preocupação, simplesmente acredito que todos temos de tomar as medidas necessárias para que esta pandemia seja controlada, temos de confiar nas pessoas que efetivamente sabem o que estão a fazer.", aconselha.

Impedido de competir, Sousa diz estar a aproveitar para "fazer outro tipo de coisas em família", deixando o ténis, por enquanto, "um pouco de parte, tanto a parte física, como de jogo." "Estando de quarentena, infelizmente, é mesmo isso que tenho de fazer. Tenho-me mantido tranquilo em casa e a respeitar as indicações, não só por mim, como também pelos outros. O foco tem sido manter-me por casa para ver se tudo isto passa e, para já, tem corrido tudo bem.", resume.

Além de lembrar ter "quase 10 semanas para preparar o próximo torneio" e estar "muito tranquilo em relação à parte física", embora tenha previsto "algo mais elaborado a partir da próxima semana", o vimaranense acredita que a suspensão do circuito foi uma medida inevitável. "Não é uma medida que os tenistas gostem, mas é necessária, porque realmente a saúde está em primeiro lugar e, com tudo o que está a acontecer a nível mundial, é realmente necessária esta precaução e estas medidas. Só temos que confiar nos profissionais que sabem o que devemos fazer e aceitar que isto é o melhor para todos.", frisa.

"Deviam ter consultado o ATP, a ITF e, talvez os jogadores"

O tenista português, considerou também que o ATP Tour e a Federação Internacional de Ténis (ITF) deviam ter sido consultados, quando o segundo torneio do Grand Slam, Roland Garros, foi adiado para setembro, tendo sido uma decisão da Federação Francesa de Ténis, em declarações à Lusa. "Acredito que tenha sido uma decisão, se calhar, um bocadinho em pânico, devido à situação que têm vivido. Mas penso que a Federação não agiu da melhor maneira ao adiar o torneio para outra data, sem pelo menos ter falado ou tido uma opinião do ATP. E, pelo que tenho entendido, também não falou com a Federação e os torneios do Grand Slam pertencem à ITF.", aponta o vimaranense.

Embora "não diga que é uma falta de respeito", o número um português e 66.º classificado no ranking ATP diz que "houve pouco consideração da Federação Francesa de Ténis (FFT) em mudar o evento dessa forma", antes da temporada de terra batida ter sido cancelada. "A meu ver, deviam ter consultado o ATP, a ITF e, quiçá, os jogadores para tentar encontrar uma forma de o torneio se fazer e eles escolherem uma data boa ou a melhor data. Mas, pelo que tenho entendido, Roland Garros continua de pé.", pontua.

Com a transferência de junho para setembro, Roland Garros terá início seis dias após o US Open, e vai coincidir com a Laver Cup e o início da temporada asiática, mas João Sousa confia que "o ATP e a ITF vão encontrar a melhor maneira de poder fazer um torneio deste calibre."

"Como é óbvio, todos queremos jogar os Grand Slams, são os torneios mais importantes para nós, mas isso não lhes dá o direito de pensar que podem passar por cima de todas as opiniões e de todos e fazer aquilo que bem entendem", lembrou, referindo-se ainda à decisão unilateral da FFT.

Com o cancelamento da temporada de terra batida, o Millennium Estoril Open só voltará a ser realizado em 2021, "uma notícia triste" não só para João Sousa, como confessa, como "para o ténis nacional" "É um torneio que, obviamente, me diz muito, é muito especial para mim, mas é uma medida necessária, já que, com toda esta situação, não fazia sentido colocar em risco um torneio tão importante para nós. Acaba por ser uma medida necessária, que em meu entender tinha de ser tomada.", sublinha.

Na sequência da suspensão do circuito até 7 de junho, face à pandemia provocada pela covid-19, o ATP Tour decidiu congelar os rankings, uma "medida acertada", do ponto de vista do português. "Para já, não existe competição e efetivamente está tudo congelado. É a melhor medida tomada pela ATP. Vamos ver o que vai dar. A ATP tem agora um trabalho muito grande e importante pela frente para definir o que é que vem a seguir. Estão a trabalhar nisso, vamos esperar e aceitar as decisões que vão ser tomadas. Se pudermos ter opinião nisso, iremos ter e, por isso estamos em contacto para tomarmos as melhores medidas para todos.", justifica.

"ATP está a sofrer alguma pressão de alguns torneios"

Com o circuito internacional de ténis suspenso, devido à pandemia da covid-19, o tenista português desconhece se estão previstas medidas de ajuda financeira aos jogadores, sobretudo quando o ATP está a sofrer alguma pressão de alguns torneios. "Não, para já a ATP não referiu nada quanto a medidas que possam ajudar monetariamente aos jogadores. Para já, não existe nenhuma informação sobre isso. Sei, pelo grupo de jogadores, que também a ATP está a ter alguma pressão de alguns torneios, que foram cancelados, para receberem uma indemnização.", conta o minhoto.

Sousa lembra que "não tem sido fácil a situação do ATP, nesse sentido monetário", e que aos jogadores só resta aguardar "para ver o que podem fazer em relação a isso. Obviamente que se existisse alguma compensação monetária, seria ótimo. No caso de não haver, temos simplesmente de aceitar e tentar voltar o mais rapidamente possível à competição.", admite.

Além de confirmar a existência de um grupo de WhatsApp dos jogadores do ATP, "em que estão cerca de 100 jogadores", revelou que são "discutidas algumas medidas" do ténis mundial. "O que tem sido bom para estarmos a par da atual situação." Neste momento, nenhum de nós sabe muito bem como é que a ATP vai lidar com esta situação, mas cada um contribui com a sua ideia e tentamos ver, em conjunto, qual é a melhor medida a partir de agora para que o circuito volte à normalidade.", esclarece.

Graças à situação causada pela covid-19, que provocou a suspensão do circuito ATP, João Sousa confessa que a participação nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020, neste momento, não é uma das suas prioridades. "Se os Jogos Olímpicos viessem a acontecer seria ótimo. Se bem que, neste momento, não é uma coisa que tenha na cabeça. Realmente, tudo o que se está a passar é bem mais importante que isso. Obviamente que representar Portugal nos Jogos Olímpicos é motivo de orgulho e acaba por ser uma boa notícia dentro deste caos, se assim for. Já o fiz em 2016, no Rio de Janeiro. Foi uma experiência única e obviamente que gostaria de repetir em Tóquio, se tudo correr bem.", esclarece o vimaranense.

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