WTA lidera a causa de Serena e quer fim de castigos por "coaching"

Proposta surge na sequência da polémica entre Serena Williams e o árbitro português Carlos Ramos na final do US Open, mas não gera consenso entre o universo do ténis

A associação de tenistas femininas (WTA) assume a luta pela causa de Serena Williams, que contestou o aviso de "coaching" [receber instruções do treinador] dado por Carlos Ramos na final do último torneio do Grand Slam do ano, e começou uma ação de sensibilização das restantes entidades com poder de decisão no ténis para alterar essa polémica regra, passando a permitir as instruções técnicas durante as partidas.

Steve Simon, o diretor executivo da WTA, enviou um e-mail aos líderes do torneios do Grand Slam, do ATP (associação de tenistas masculinos) e da ITF (federação internacional de ténis) a apelar ao final da regra que proíbe o coaching, sublinhando que "todos concordarão que aquilo que se viu na final feminina do US Open foi bastante infeliz", segundo revela o Wall Street Journal (WSJ).

Nessa final, perdida por Serena Williams para a japonesa Naomi Osaka, a penalização dada pelo juiz português Carlos Ramos à tenista norte-americana foi o rastilho para uma polémica que se prolongou no court e, depois, ao longo de vários dias, com Serena a chamar "mentiroso" e "ladrão" ao árbitro e a discussão pública do caso a inflamar debates sobre racismo e (des)igualdade de género no desporto e na sociedade.

A WTA quer o apoio das restantes entidades para acabar com uma regra que considera desajustada no ténis atual. "O ato de treinar e instruir faz parte do desporto. Nós devíamos proporcionar isso na nossa modalidade. Gostava mesmo de o ver enraízado em todo o desporto", disse Steve Simon ao WSJ .

As propostas de mudanças deverão começar a ser discutidas durante as Finais WTA, em Singapura, no final deste mês de outubro, e as Finais ATP, em novembro, em Londres. Mas sabe-se de antemão que a visão da associação que gere o circuito feminino está longe de ser consensual .Entre os torneios do Grand Slam, por exemplo, se o Open da Austrália e o dos EUA se mostram favorável à revisão da regra, os de Wimbeldon e de Roland-Garros já se manifestaram contra.

Richard Lewis, diretor executivo do torneio de relva londrino, mostra abertura para o diálogo, mas refere que "essa regra faz parte do ADN deste desporto". "Acreditamos firmemente que uma das coisas que torna o ténis tão belo é a sua natureza individual e gladiatória", acrescentou.

Um porta-voz do ATP, Simon Higson, também diz ao mesmo jornal que "ainda não houve consenso para alterar esta prática" e que não espera que a regra possa "mudar durante a temporada de 2019" nos torneios do circuito masculino.

No entanto, se não houver consenso entre as diferentes entidades,a WTA diz estar preparada para avançar sozinha com a autorização das instruções dos treinadores durante os jogos do circuito feminino.

Olho de falcão também teve influência de Serena

"Isso é feito por 100% dos treinadorres em 100% dos encontros. É uma hipocrisia", considerou o treinador de Serena Williams, Patrick Mouratoglou, que concedeu ter emitido sinais para a tenista durante a final - embora Serena tenha garantido não os ter visto e nunca ter combinado quaisquer sinais com o técnico.

Se a mudança acontecer, não será a primeira vez que Serena Williams influi na evolução dos regulamentos do jogo, lembra o Wall Street Journal: foi depois de uma polémica derrota da norte-americana frente à compatriota Jennifer Capriati, no mesmo US Open, em 2004, com várias decisões de arbitragem contestadas por Serena, que se avançou definitivamente com o sistema de revisão de vídeo (hawk-eye - olho de falcão, em português ) no ténis.

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