Usain Bolt já treina como futebolista dos Central Coast Mariners

O jamaicano, oito vezes campeão olímpico nos 100, 200 e 4x100 metros, efetuou esta terça-feira o seu primeiro treino como jogador da equipa de futebol Central Coast Mariners, da primeira divisão da Austrália.

No dia do seu 32.º aniversário, Bolt cumpriu um sonho que há muito alimentava e, numa conferência de imprensa ao lado do treinador Mike Mulvey, mostrou a sua vontade de deixar o clube "orgulhoso", agradecendo a receção dos seus colegas de equipa.

"A receção foi muito calorosa. Todos me receberam com amor e sinto-me muito respeitado. Pedi para ser tratado como apenas mais um jogador e o treinador explicou-me que não teria tratamento especial", afirmou o jamaicano, que revelou ainda ter recebido convites de outros países europeus para prestar provas, algo que já fez na Alemanha, Noruega e África do Sul.

A estreia de Usain Bolt pelos Mariners pode acontecer no dia 31, com antigo campeão nos Jogos Olímpicos de Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016 a admitir que "o primeiro dia de treinos é sempre o mais duro" da preparação, mas sem esconder a ambição de participar pela primeira vez num jogo de futebol oficial.

"Será uma decisão da equipa técnica. Estou aqui para me esforçar ao máximo, veremos se tenho a minha oportunidade", finalizou Bolt, que vai permanecer nos Mariners à experiência por tempo indefinido na esperança de conseguir assinar o primeiro contrato como futebolista.

Ler mais

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.