Uma guitarra portuguesa, três rodas e a corrida mais louca do mundo

Quatro amigos de Cascais formaram a equipa Autofado e construíram a guitarra mobile que vai ganhar asas neste domingo no 3.º Grande Prémio Red Bull Lisboa, no Parque Eduardo VII.

Uma guitarra portuguesa, três rodas, quatro amigos e dezenas de gargalhadas. É assim que a equipa Autofado vai apresentar-se neste domingo no Parque Eduardo VII, que vai transformar-se numa alucinante pista para receber a terceira edição do Grande Prémio Red Bull Lisboa - A Corrida mais Louca do Mundo.

A ideia remonta a 2014, quando três dos quatro amigos, enfermeiros de profissão, decidiram participar no Red Bull Flugtag, na baía de Cascais. A experiência correu bem, valeu um dia bem passado e uma boa dose de boa disposição, a ponto de ter ficado prometido que, na próxima vez que houvesse um evento do género da Red Bull, participariam com algo relacionado com fado, uma paixão do grupo. Quatro anos depois, a guitarra mobile tornou-se uma realidade, passando as várias etapas da pré-seleção.

Sucata, bicicletas e um homem dos sete ofícios

"Queríamos fazer algo que fosse simples, fácil de realizar, embora isto não seja propriamente muito fácil. Tínhamos as diretrizes e as medidas, mas o carro tinha de ter sistema de travagem e então recorremos aos de bicicletas, que já têm travões, com duas rodas atrás e uma à frente, por causa da direção. Depois fomos buscar os materiais a uma sucata e começámos a arranjar bicicletas e pedaços de andaimes. Com um ferro aqui e outro ali, conseguimos fazer o projeto avançar", conta ao DN Hugo Serra (36 anos), enfermeiro de profissão e considerado o mentor do projeto pelo quarteto, no qual também está incluído outro enfermeiro, Hugo Afonso (36), que agora trabalha na área da programação, José Oliveira (36), e o homem dos sete ofícios, João Simão (43), guitarrista de fado com mãos para a serralharia, a mecânica e a construção civil.

"Soldámos os ferros e encontrámos o banco num depósito de materiais. A direção teve para ser tipo Harley-Davidson, mas abandonámos a ideia devido à instabilidade que criava, porque o ângulo tornava-se muito instável. Encontrámos uma solução um bocado arcaica, através de uma argola e um diferencial. Depois, reforçámos a frente do carro para não se partir com os saltos, pintámos os ferros de preto para ficar mais bonito e colocámos proteções", acrescentou, bem-disposto e já a contar os dias para domingo.

60 a 70 quilos, 300 euros e mês e meio de trabalho

Apenas a precisar de ser envernizado e de levar pequenos retoques antes da corrida, o veículo "tem à volta de 60 ou 70 quilos", pensa Hugo Serra. "Eu acho que tem mais", desconfia Hugo Afonso, que guarda a guitarra mobile na sua casa em Murches, concelho de Cascais, referindo que o processo de construção "demorou cerca de um mês e meio". "A celeridade da construção deste veículo deve-se ao facto de ter sido muito bem projetado pelo senhor enfermeiro, que mais valia ser senhor engenheiro mecânico", frisou, sobre o homónimo.

"Não estivemos juntos todos os dias, porque cada um teve as suas férias e há sempre o trabalho. Tentávamos estar juntos a seguir ao trabalho e às vezes também ao fim de semana. Numas semanas terá avançado mais, noutras nem tanto", conta Hugo Serra, que calcula que o dinheiro envolvido no carro ronde os 300 euros, amortecidos pelo patrocínio da empresa de informática Outfit.

Uma quadra que também é lema

Numa equipa em que o fado é paixão, também se toca e canta. Com os acordes afinados e a entoação própria do género musical, Hugo Afonso e Hugo Serra tocaram e cantaram uma quadra que serve de lema para domingo:

"Somos a equipa Autofado
Viemos aqui para correr
E juntos, lado a lado
o nosso objetivo é vencer."

"Expectativas para domingo? A vitória! Mas o mais importante, claro, é participar. Uma coisa é certa: confiamos na segurança do veículo. Vencer seria a cereja no topo do bolo", confessou Hugo Afonso. "Estamos com boas expectativas", rematou o amigo.

Cinco horas de animação

Fernando Alvim e Rui Maria Pêgo serão os apresentadores de serviço da corrida, que está aberta ao público (entrada livre) e tem início às 13.30, com os primeiros participantes a fazerem-se à pista meia hora depois. Já a entrega de prémios está prevista para as 18.30. Ao longo do dia, as equipas participantes vão ser avaliadas por um júri, composto pelo piloto Tiago Monteiro, o hoquista do FC Porto Hélder Nunes, a locutora da RFM Joana Cruz e a apresentadora da SIC Radical Rita Camarneiro, tendo em conta três fatores: tempo, criatividade/originalidade do veículo e interatividade com o público.

Este desafio, que tem corrido em cidades de todo o mundo desde 2000, obedece a regras comuns, envolvendo equipas compostas por um máximo de quatro elementos. Com dimensões limitadas a três metros de comprimento, dois de largura e 2,5 metros de altura - para um peso máximo de 80 kg -, as máquinas são 100% artesanais e não podem utilizar qualquer tipo de propulsão mecânica.

Os prémios são aliciantes, com a equipa vencedora a arrecadar uma experiência Red Bull Racing durante um fim de semana numa corrida europeia, em parceria com a TAP. Os segundos classificados ganham uma experiência WRC Rally de Portugal em 2019 para toda a equipa, em parceria com o ACP, e os terceiros uma driving experience com Tiago Monteiro, em Portugal.

A corrida é transmitida em direto, a partir das 14.00, na SIC Radical e no Instagram da Red Bull Portugal, com organização conjunta da Red Bull Portugal e da Câmara Municipal de Lisboa, com o apoio da TAP, do ACP e da Pattex.

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