Suspensões já não travam recorde de candidatos às eleições do Sporting

Mesmo que Bruno de Carvalho e Carlos Vieira não possam ir a votos a 8 de setembro, as sete restantes candidaturas chegam para garantir novo máximo para os lados de Alvalade

Depois de José Maria Ricciardi ter anunciado no domingo a sua candidatura, subiu para nove o número de candidatos à presidência do Sporting. E mesmo que os suspensos Bruno de Carvalho e Carlos Vieira não possam ir a votos no dia 8 de setembro, já está garantido um recorde de candidaturas a um ato eleitoral do clube, sete, superando as cinco de 2011.

Há oito anos, Godinho Lopes, Pedro Baltazar, Bruno de Carvalho, Dias Ferreira e Abrantes Mendes formaram a mão cheia de candidatos que se apresentou a sufrágio. O primeiro venceu com 36,55% dos votos, apenas 0,40% de vantagem sobre Bruno de Carvalho, que viria a tornar-se seu sucessor em 2013. Bem diferentes foram as eleições de 2002, as últimas em que concorreu apenas um candidato, Dias da Cunha.

O novo máximo de candidatos tem sido motivo de preocupação para algumas figuras do universo leonino, que temem que o vencedor não seja legitimado por uma percentagem expressiva de votos. O ex-ministro Poiares Maduro já fez notar a sua preocupação relativamente ao clima de "profunda divisão" e à multiplicação de candidaturas, que podem originar "um resultado eleitoral incapaz de legitimar os próximos órgãos sociais", tendo apelado a "um esforço genuíno de convergência entre os diversos potenciais candidatos, de modo a colocar de pé um projeto que seja mobilizador e reflita a diversidade do clube, promovendo a coesão e uma forte legitimação da solução de liderança resultante das próximas eleições".

Apesar dos apelos, todos os candidatos garantem que vão até ao fim na tentativa de suceder a Bruno de Carvalho, destituído na Assembleia Geral de 23 de junho. Frederico Varandas, que anunciou a sua candidatura mesmo antes da AG de há um mês, foi o primeiro a formalizá-la, tendo-o feito esta terça-feira. O ex-presidente também já tentou entregar a documentação necessária, mas foi impedido, precisamente por se encontrar sob alçada disciplinar. Os restantes pretendentes ao trono leonino terão de apresentar as listas para todos os órgãos sociais do clube (conselho diretivo, mesa da assembleia geral e conselho fiscal e disciplinar) até 8 de agosto.

As principais ideias dos nove candidatos

Bruno de Carvalho: Vai para a terceira candidatura (se não for inocentado pela comissão de fiscalização), depois de ter perdido para Godinho Lopes em 2011 e ter sido eleito em 2013. Após cinco anos de forte investimento nas modalidades e em que construiu o Pavilhão João Rocha e deu mais competitividade à equipa de futebol, recandidata-se com os projetos de: criar condições para um título europeu no futebol; continuar a recuperação financeira que levou a cabo nos dois mandatos anteriores; fazer regressar o râguebi masculino e o basquetebol sénior; chegar aos 250 mil sócios; e dotar tornar Alvalade num estádio inteligente, com mais portas, novos ecrãs, linhas digitais nos vários anéis e wi-fi gratuito.

Carlos Vieira: Vice-presidente com o pelouro das finanças e administrador da Sporting SAD durante os mandatos de Bruno Carvalho, desta vez corre em nome próprio, mas ainda espera que a suspensão de sócio lhe seja retirada. Tem o intuito de continuar o que foi bem feito pela anterior direção e pretende construir uma Academia para o futebol na área da Grande Lisboa, retomar "a negociação com parceiros financeiros que foi interrompida" para que o Sporting fique numa posição mais favorável "para ser dono de si próprio", fazer regressar o basquetebol sénior masculino, construir uma academia para as modalidades e "distribuir dividendos" aos acionistas da SAD.

Dias Ferreira: Advogado, antigo membro da direção de João Rocha, ex-presidente da mesa da assembleia geral e um dos candidatos derrotados nas eleições de 2011, vai voltar a ir a votos. Já piscou o olho a Sousa Cintra para continuar à frente da SAD, promete manter José Peseiro como treinador da equipa de futebol e pretende fazer uma separação entre as modalidades rentáveis e as que "são para praticar apenas com lazer dos sócios".

Fernando Tavares Pereira: Empresário e e antigo presidente do Tourizense, também já assegurou a continuidade de José Peseiro "desde que cumpra o seu dever, que é ganhar", promete rigor e estabilidade na gestão, melhorar a Academia, reaproveitar espaços livres do estádio, criar um departamento nacional de núcleos, instalar o voto eletrónico e manter todas as modalidades.

Frederico Varandas: Após sete anos a trabalhar no Sporting enquanto diretor clínico, procura agora assumir os destinos do clube. Já assumiu que José Peseiro continuará no cargo, promete uma gestão transparente em que o conselho fiscal e disciplinar funcione como uma espécie de Tribunal Constitucional e alargar e explorar a formação através do reforço das academias Sporting. Diz que "o que foi bem feito por Bruno de Carvalho é para continuar" e defende o regresso do basquetebol.

João Benedito: Antigo guarda-redes de futsal do clube e com mais de 20 anos ao serviço do Sporting enquanto atleta, tem como slogan de candidatura "Raça e Futuro". Já vincou que José Peseiro é o seu treinador e esta terça-feira anunciou Peter Schmeichel para as relações internacionais e André Cruz para diretor para o futebol. Quer o sucesso desportivo como motor da estabilidade financeira de clube, pretende incrementar a cultura de vitória com a aposta em ex-atletas na sua lista e promete duas novidades: o Sporting Performance, estrutura que otimizará o desempenho desportivo dos atletas através de um recurso à tecnologia de ponta e a profissionais especializados na área técnica, física, psíquica e nutricional; e a figura de CEO transversal a clube e SAD.

José Maria Ricciardi: Nunca pertenceu a uma direção, mas é uma figura forte no universo leonino, devido à sua carreira como banqueiro. Pretende que o clube mantenha o controlo da SAD e promete lutar pela pacificação no futebol português, reatando relações com todos os clubes da I e II Ligas, inclusivamente com o Benfica. Vai apresentar a sua lista esta quarta-feira (19.45), no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Pedro Madeira Rodrigues: Derrotado nas eleições de 2017 por Bruno de Carvalho, diferencia-se dos restantes candidatos por assumir que o seu treinador é outro que não José Peseiro: o italiano Claudio Ranieri, campeão inglês pelo Leicester em 2015/16. Já anunciou os ex-jogadores Delfim, Balakov, Ricardo e Marco Aurélio para a sua estrutura do futebol, Mariano Barreto para liderar a Academia e disse ter investidores asiáticos dispostos a injetar dinheiro na SAD, mas sem que o clube perca a maioria do capital da sociedade. Também quer uma academia para as modalidades e reativar o basquetebol.

Zeferino Boal: Já anunciou ser candidato em outras ocasiões, mas nunca chegou a ir a votos. Pretende criar centros de formação Sporting no Porto, Braga, Aveiro, Viseu e Algarve; um Centro de estágios no norte do país para permitir que todos os sportinguistas tenham acesso aos seus ídolos; e o Sporting LAB, departamento que visa monitorizar aspetos dos jogadores, como a alimentação, o sono ou a velocidade a que ocorre o desgaste, para prevenir lesões e potenciar os atletas. Garante que clube e SAD vão funcionar como estruturas separadas, com presidentes distintos.

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