Nani, o rei da selva que ganha jogos

Sem Bas Dost (saiu lesionado ao intervalo), nem Bruno Fernandes (parece mal atleticamente), Nani assumiu o papel de rei da selva leonina. Jogou, correu, procurou espaços em todo o lado e aproveitou a entrada de Jovane para bisar e dar o triunfo sobre um Vitória bem bom. E lançou a equipa no topo para o dérbi da Luz

O Sporting começou bem. Nani marcou logo aos 9' (Cristiano ficou a pensar que podia fazer melhor, e não estava sozinho nesse raciocínio) e parecia que a equipa se ia sobrepor à selva que têm sido os últimos meses do clube e que foi o futebol leonino frente ao V. Setúbal. Nada de Bas Dost (Peseiro confirmou problemas físicos já antes do jogo), quase nada de Bruno Fernandes, que falhou mais passes este sábado do que em mil jogos.

O Vitória foi uma equipa muito organizada e com noção dos espaços que devia pisar a defender (mérito de Semedo a encurtar os espaços a Fernandes) e a atacar. Sobretudo através dos raides de Zequinha. E foi o regressado avançado quem empatou a contenda. Salin saiu mal (embora prejudicado na ação pelo embate em Coates), Mendy tocou curto para trás e Zequinha disparou para o 1-1.

O Vitória jogava de forma harmónica, movendo-se como um só corpo e obrigando os leões a afunilar o futebol. Com a agravante de que no meio estavam jogadores pouco dotados para elaborar a proposta mais criativa da equipa de José Peseiro. Com Bruno Fernandes de castigo, quer pela marcação, quer pela desinspiração), sobravam Misic e Battaglia. Jogadores que tendem a passar para o lado e não a provocarem ruturas entre as linhas adversárias.

Bruno Fernandes esteve de castigo, quer pela marcação, quer pela desinspiração

O que se via era a omnipresença de Nani. Na esquerda, na direita, no meio. O extremo procurava fugir das zonas de pressão intensa da equipa de Lito Vidigal, e era o único que o fazia com inteligência e intensidade. Chegou o intervalo com os espectadores impacientes. E não era para menos, a uma semana do dérbi na Luz (sábado, 25 de agosto, 19.00).

Para a segunda parte, Peseiro trocou Bas Dost (apagado, mas provavelmente por limitações físicas - ou teve uma noite para esquecer) por Montero, mas no eixo pouco mudou. Houve um cruzamento que Jefferson arrancou com perfeição e o colombiano obrigou Cristiano a uma defesa por instinto.

No outro lado, entre uma saída em vão (Cádiz cabeceou por cima com o guarda-redes completamente fora do lance) e uma ou outra intervenções competentes (a sacar a bola de Zequinha após bom cruzamento de Nuno Pinto; a parar um remate manhoso de Zequinha), Salin lá foi respondendo às interpelações vitorianas.

Entre uma saída em vão e uma ou outra intervenções competentes, Salin lá respondeu às interpelações vitorianas

Com a equipa metida na selva, só o rei Nani conseguiria tirá-la de lá. Ou fazê-la triunfar. E muito se aproveitou do jovem Jovane Cabral. O extremo deu velocidade nas transições e aproveitou uma delas para arrancar um cruzamento perfeito para Nani rematar de cabeça e em força para o golo da vitória. Bisou pela oitava vez na carreira, a primeira vez que o fez pelo Sporting.

Foi Nani mais dez (e meia hora de Jovane), apesar dos centrais não terem estado, como é hábito, mal. O Vitória deixa a promessa de competitividade e boas ações coletivas. Para lá dos rasgos de Zequinha, notou-se que há um plano que todos seguem.

Nani chegou para este jogo, mas não deverá ser suficiente para ganhar sozinho ao Benfica. Para isso, José Peseiro precisa que Bas Dost recupere fisicamente e que Bruno Fernandes passe uma borracha sobre este jogo (e melhore os índices atléticos).

Certos são os seis pontos em dois jogos, com cinco golos marcados (dois de Dost, dois de Nani e um de Fernandes - não será coincidência, obviamente) e dois sofridos, o que sugere alguma fragilidade defensiva numa equipa com dois centrais do melhor que há em Portugal.

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