Son, o herói sul-coreano do Tottenham que quase foi tramado pelo serviço militar

Son Heung-min marcou três golos na eliminatória contra o Manchester City nos quartos-de-final e foi determinante na eliminação da equipa de Pep Guardiola da Liga dos Campeões. Esteve em risco de não jogar esta época para cumprir serviço militar e deve a carreira ao pai.

Son Heung-min foi o herói principal do dramático apuramento do Tottenham para as meias-finais da Champions. O avançado sul-coreano marcou dois golos no Etihad Stadium frente ao Manchester City na derrota por 4 a 3 e apurou a equipa, graças ao golo que ele próprio marcou na partida da primeira mão na estreia europeia do novo estádio dos spurs, o Tottenham Hotspur Stadium (1-0).

Golos que o ajudaram a chegar à meia dúzia e o tornaram no maior goleador asiático da história da competição europeia de clubes, superando Maxim Shatskikh, do Uzbequistão, que balançou as redes por 11 vezes. Alem disso, o avançado do Tottenham é o terceiro jogador a conseguir fazer dois golos nos primeiros 10 minutos de um jogo da Liga dos Campeões, igualando Gonzalo Higuaín, que em 2018 marcou contra Tottenham, e Ricardo Quaresma, que em 2015 fez o mesmo ao Bayern de Munique.

O jogo de quarta-feira com os citizens de Guardiola foi eletrizante e teve indefinição no resultado até depois dos 90 minutos. "Nunca vi algo assim. Foi um jogo muito duro e muito louco. Acho que temos que ficar bastante orgulhosos dos nossos jogadores porque é uma noite inacreditável", disse o jogador, após o fim do jogo com o City, agradecendo ao videoárbitro (VAR) que anulou o golo de Sterling já depois dos 90 minutos, que eliminaria os spurs: "Às vezes ficamos incomodados com VAR, mas hoje [quarta-feira] é para dizer obrigado. Lutamos juntos por 90 minutos. Mostramos caráter inacreditável e lutamos."

Agora, como viu um cartão amarelo no jogo com o City, vai falhar a primeira partida da meia-final frente ao Ajax (que eliminou Ronaldo e a Juve). Ele "não sabia que os cartões acumulavam nesta fase" e foi surpreendido quando o jornalista lhe perguntou sobre a ausência nas meias-finais.

O feito de Son - já fez 20 golos em 42 jogos esta época - é ainda maior tendo em conta que o avançado podia nem sequer estar a jogar no Tottenham, mas sim ao serviço do exército sul-coreano por dois anos. A lei diz que todos os sul-coreanos precisam de fazer 21 meses de serviço militar até completarem 28 anos. Por isso como Son já tinha 25 no início da temporada arriscava ter de se apresentar ao exército em julho de 2019, o que o tiraria de combate nas temporadas 2019-20 e 2020-21. O avançado só foi dispensado porque venceu a Taça Asiática pela Coreia do Sul. Ainda assim não se livra de quatro meses de treino militar.

O pai ex-jogador, exigente e assustador a quem deve tudo

Son Heung-Min, de 26 anos, natural de Chuncheon, na Coreia do Sul, é filho do ex-jogador Son Woon-jung, que terminou a carreira aos 28 anos por lesão. "Comecei a dar pontapés numa bola assim que comecei a andar", contou o jogador numa entrevista ao The Guardian, acrescentando que o pai era muito exigente com ele, assustador mesmo. "Quando eu tinha 10 ou 12 anos, ele foi treinar a equipa da minha escola, éramos 15 ou 20 jogadores. O programa foi igual para todos, bater bolas durante 40 minutos. Quando alguém deixava cair a bola, o meu pai não dizia nada. Mas assim que eu a deixei cair, ele fez-nos recomeçar desde o início", contou o avançado do Tottenham.

O pai também lhe ensinou a olhar o próximo, ou como se diz no futebol... a ter fair play: "Disse-me que quando um adversário cai e se lesiona, eu deveria colocar a bola para fora e saber do estado do adversário. Porque pode-se ser um bom futebolista, mas se não se sabe respeitar os outros, não somos ninguém. Ainda hoje me diz isso. Às vezes é difícil, mas somos humanos antes de sermos jogadores de futebol. Se é assim fora de campo, porque deve ser diferente dentro de campo?"

Na Coreia do Sul, a palavra de um pai é lei e ele não podia estar mais agradecido: "O meu pai fez tudo por mim e sem ele, eu provavelmente não estaria onde estou hoje."

Son deu os primeiros pontapés na bola no FC Seul, mas foi na Europa que cresceu desportivamente. As portas da Alemanha abriram-se ao 16 anos, quando foi para os juvenis do Hamburgo, tendo depois passado pelos juniores antes de se estrear na equipa principal da formação alemã, apenas com 18 anos. Daí deu o salto para o Bayer Leverkusen e depois para Inglaterra e com destino ao Tottenham a troco de 30 milhões de euros.

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