Serena Williams tem um novo fato. Tão chamativo como o de Roland Garros

O modelo usado por Serena Williams em Roland Garros foi banido, mas ela voltou a marcar a diferença no primeiro jogo do Open dos EUA

"No que diz respeito à moda, não queremos ser criminosos reincidentes", disse Serena Williams na conferência de imprensa de aquecimento para o Open dos EUA, com uma gargalhada, a propósito do body preto de licra que usou no torneio de Roland Garros e que a Federação Francesa de Ténis proibiu.

A atleta norte-americana referia-se mais ao facto de nunca repetir modelos em torneios do Grand Slam do que à polémica gerada pelo fato a la catwoman.

Bernard Giudicelli, presidente da Federação francesa de Ténis, disse recentemente que os fatos completos estariam interditos em próximas edições do torneio. "Temos de respeitar o jogo e o lugar. Vamos pedir aos fabricantes para nos dizerem o que vem aí. Penso que fomos longe demais".

A Nike, que patrocina a atleta, defendeu Serena Williams, via Twitter, sem referências diretas à proibição da Federação Francesa de Ténis: "Podemos tirar a super-heroína do fato, mas nunca podemos tirar os superpoderes".

Já o tenista Andy Roddick, amigo de infância de Serena Williams, foi direto ao assunto: "Isto é tão parvo e de vistas estreitas que dói. Às vezes era bom que o desporto saísse do seu próprio caminho."

O caso aumentou o interesse em torno do modelo que seria envergado pela tenista no primeiro jogo do Open dos EUA. E esteve à altura das expectativas. Serena repetiu o preto e substituiu a tradicional saia por um tutu.

Na conferência de imprensa que antecedeu o jogo em que enfrentou e bateu a polaca Magda Linette, por 6-4 e 6-0, o tom geral foi retirar peso à polémica. "Penso que é óbvio que os Grand Slams têm o direito de fazer o que querem fazer", afirmou durante a mesma conferência de imprensa, citada pelo USA Today, "Se souberem que algumas coisas são por razões de saúde, não há maneira de que não estejam ok com o assunto."

Serena Williams esclareceu que conversou com o presidente da federação francesa. "Ele tem sido incrível. Tão fácil de conversar. A minha equipa é basicamente francesa, portanto temos uma excelente relação. Tenho a certeza que vamos chegar a um entendimento e que tudo ficará bem".

O segredo do fato do Open dos EUA

O modelo usado em Roland Garros foi especialmente desenhado para comprimir o corpo de Serena Williams e prevenir a formação de coágulos, um problema com o qual a tenista se debateu várias vezes, incluindo após o nascimento da filha, Alexis Olympia, a 1 de setembro de 2017

No fato usado no campo de Flushing Meadows esta terça-feira, a compressão foi tratada de maneira mais discreta. Com meias de rede, "que mantêm tudo a funcionar no meu corpo, garantindo que me mantenho saudável. Encontrei uma nova solução", desvendou.

Um modelo de 500 dólares e o marketing à volta

Serena Williams, 36 anos, dizia sentir-se uma "super-heroína de Wakanda", um reino africano criado pela Marvel e, com a foto do polémico fato, dedicou uma mensagem "para todas as mães por aí que tiveram uma árdua recuperação da gravidez". "Se eu consigo, vocês também", escreveu.

O fato de um só ombro e saia de tule é "muito fácil para jogar", disse Serena Williams, após a partida que venceu por 6-4 e 6-0, "Aerodinâmico, só com um braço livre", disse, revelando que praticou com o tutu antes do jogo de abertura do Open dos EUA. "Foi divertido."

Divertido, e eficaz como campanha. À polémica em torno do body de licra seguiu-se a curiosidade em torno do modelo que Virgil Abloh ia criar para o Open dos EUA e um anúncio do patrocinador usando imagens de Serena Williams a ser treinada pelo pai, Richard. "Joga como se estivesses no Open dos EUA". O modelo custa 500 dólares, nas contas da CNN.

Serena Williams vai jogar contra a alemã Carina Witthoeft, número 101 do ranking mundial, e, se passar, poderá vir a enfrentar a irmã mais velha, Venus.

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