Falta de eficácia e equívocos táticos ditam mais uma derrota do Benfica

O Belenenses conquistou a primeira vitória em casa na I Liga graças ao brilho de Muriel Becker, que até defendeu um penálti de Salvio, e de Eduardo Henrique. A astúcia de Jorge Silas bloqueou os encarnados na segunda parte

O Benfica caiu com estrondo no Jamor perante o Belenenses SAD, ao perder este sábado por 2-0, numa partida em que acumulou erros na finalização na primeira parte e depois em que o treinador Rui Vitória somou equívocos táticos que hipotecaram à sua equipa a possibilidade de pelo menos chegar ao empate. Disso tudo se aproveitaram os azuis de Jorge Silas, que foram uma equipa muito organizada e que após se colocarem em vantagem praticamente tirou o adversário do jogo, bloqueando todos os seus ataques.

Os encarnados somaram assim a segunda derrota consecutiva, depois da desilusão de Amesterdão, e perderam a oportunidade de alcançar a liderança isolada da I Liga, depois de na véspera o Sp. Braga ter cedido um empate em Guimarães. Com tudo isto, o FC Porto pode apanhar os bracarenses no primeiro lugar se vencer o Feirense no Dragão.

Poucos seriam aqueles que pensariam no início do jogo que esta visita do Benfica ao Jamor acabasse da forma como acabou. É que os encarnados entraram muito forte, empurraram o Belenenses para a sua defesa e foram criando oportunidades sucessivas para abrir o marcador. Começou logo no primeiro minuto, com Muriel a voar para parar um remate de Salvio. Depois disso foi Rafa Silva, Seferovic, Gedson, sempre com o guarda-redes dos azuis a brilhar.

Salvio desperdiça penálti e dá força aos azuis

O Benfica tentava chegar ao golo de todas a formas, entrando pela esquerda, pelo meio, pela direita, mas a equipa de Jorge Silas soube sofrer e, apoiada por Muriel Becker, foi sobrevivendo ao autêntico sufoco a que foi submetida. Até que aos 33 minutos, o árbitro Artur Soares Dias, ajudado pelo VAR, assinalou penálti de Reinildo sobre Salvio, mas o remate do argentino voltou a ser parado pelo guarda-redes brasileiro.

Talvez esse tenha sido o momento em os azuis começaram a acreditar que esta seria a sua noite. E não demorou muito para se adiantarem no marcador, quando Vlachodimos saiu mal da baliza e derrubou Licá... um penálti tão claro quanto desnecessário, que Eduardo Henrique, médio de 23 anos contratado ao Atlético Paranaense que se estreou na I Liga, abriu o marcador e iniciou uma noite brilhante. É que, ainda antes do intervalo, o brasileiro fez um excelente passe que isolou Alhassane Keita, que bateu o guarda-redes do Benfica e aumentou para 2-0. O Benfica estava à beira do descalabro e só uma segunda parte forte e com um bom nível de eficácia é que poderia sonhar com outro resultado.

Só que o recomeço trouxe um Belenenses muito organizado, a procurar defender longe da sua baliza, tentando bloquear o início da construção de jogo dos encarnados. Rui Vitória tinha lançado Jonas para jogar ao lado de Seferovic e tirou Salvio, colocando Pizzi na ala direita, que ainda assim foi ligando o jogo ofensivo do Benfica, que logo de entrada teve algumas boas situações desperdiçadas por Jonas, Rafa, Pizzi.

Pizzi sai e Benfica fica sem ideias

Só que a saída de Pizzi aos 68 minutos, para entrar Castillo, acabou por acabar com a ligação que os encarnados ainda conseguiam fazer... não havia quem transportasse o jogo da equipa para o ataque, nem quem tivesse imaginação para encontrar os desequilíbrios e os espaços para finalizar. O Benfica passou a bombear bolas para a área dos azuis, facilitando a tarefa da defesa contrária.

Mas não se pense que o Belenenses foi uma equipa retraída na senda parte. É que, além de defender com linhas subidas, foi espreitando o contra-ataque e num deles Licá surgiu na cara de Vlachodimos, que fez uma excelente defesa. Nos azuis destacava-se, além de Muriel, o médio Eduardo Henrique, que além de ter sido decisivo nos lances dos golos foi ainda um gigante na batalha do meio-campo durante a segunda parte, tendo sido precioso para colocar em dificuldades a organização ofensiva dos encarnados.

Com o tempo a passar, o desespero foi tomando conta dos jogadores do Benfica, que acumularam maus passes... Num último ato desesperado, Rui Vitória lançou Zivkovic aos 84 minutos, numa tentativa de dar mais criatividade à equipa, mas era manifestamente tarde, pois as forças já faltavam à equipa e a confiança dos azuis era enorme e o desacerto adversário era ainda maior.

Ainda antes do apito final do árbitro, os adeptos benfiquistas que permaneceram nas bancadas (muitos foram saindo do estádio ao longo da segunda parte) contestaram Rui Vitória, que poderá estar a viver neste momento o período mais difícil na relação com os adeptos desde que chegou à Luz. É que, além de esta ser a segunda derrota seguida contando com o Ajax, o Benfica vai para o segundo jogo fora na I Liga sem vencer...

O Belenenses, que tem tido um início de época difícil, conquistou a primeira vitória em casa e quebrou um jejum de onze anos sem vencer o Benfica. A última vez tinha sido em dezembro 2007, por 1-0, com um golo de Weldon, numa altura em que Jorge Jesus orientava os azuis e José Antonio Camacho era o técnico da equipa da Luz.

A Figura - Muriel Becker

Uma noite para mais tarde recordar, tantas foram as bolas de golo que negou aos avançados do Benfica, entre elas um penálti aos 33 minutos, quando o resultado ainda não estava em 0-0. Foi guarda-redes brasileiro, irmão de Alisson do Liverpool, a lançar os azuis para a vitória, dando a confiança necessária para os companheiros se lançarem em busca dos três pontos. No entanto, merece ainda destaque Eduardo Henrique, que marcou um penálti e assistiu para o golo de Keita, além de ter sido um gigante no meio-campo.

VEJA OS PRINCIPAIS LANCES DO JOGO

FICHA DO JOGO

Estádio Nacional (10 000 espectadores)
Árbitro: Artur Soares Dias (Porto)

Belenenses: Muriel Becker, Diogo Viana, Gonçalo Silva, Sasso, Reinildo Mandava (Fredy, 54'); André Santos (Nuno Coelho, 58'), Jonatan Lucca, Eduardo Henrique; Licá, Keita (Nuno Tomás, 75'), Zacarya Bergdich.
Treinador: Jorge Silas

Benfica: Vlachodimos; André Almeida, Rúben Dias, Jardel, Grimaldo; Fejsa (Zivkovic, 84'), Gedson Fernandes, Pizzi (Castillo, 68'); Salvio (Jonas, 46'), Seferovic, Rafa Silva
Treinador: Rui Vitória

Cartão amarelo a Reinildo Mandava (32'), Keita (33'), Jardel (45') e Fejsa (79').

Golos: 1-0, Eduardo Henrique (36' gp); 2-0, Alhassane Keita (42')

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.