Ronaldo tem custado a arrancar mas o ketchup não falha

Internacional português não marcou nos três primeiros jogos no campeonato, ao serviço da Juventus, mas últimos anos de carreira tem mostrado registos semelhantes e... golos em catadupa até ao final das épocas

Três jogos, zero golos. O arranque de Cristiano Ronaldo no campeonato italiano não tem sido produtivo, mas os últimos anos de carreira do internacional português mostram que a pouca inspiração nos primeiros encontros não deve levar a conclusões precipitadas acerca do melhor jogador do mundo, agora ao serviço da Juventus.

Se neste início de temporada não conseguiu marcar a Chievo, Lazio e Parma, na temporada passada também não faturou diante de Betis, Alavés e Espanyol nos três encontros iniciais da liga espanhola, com a camisola do Real Madrid. Acabou por marcar apenas ao quarto jogo, frente ao Getafe, mas ainda foi a tempo de terminar com 26 golos em 27 jogos no campeonato.

Em 2016/17, algo semelhante aconteceu, também sob a orientação de Zinédine Zidane. Marcou um golo na estreia, ao Osasuna, mas ficou em branco nos três jogos seguintes, diante de Villarreal, Las Palmas e Eibar. A pouca produtividade inicial acabou por ser compensada nos meses seguintes, concluindo o campeonato com 25 golos em 29 partidas.

No fundo, quando as teorias sobre a curva descendente de CR7 se começam a fazer ouvir, o avançado madeirense faz valer no campeonato e na Liga dos Campeões aquela que deu a conhecer ao mundo em vésperas do Mundial 2010, quando comparou golos a ketchup: "Como me disse alguém, os golos são como o ketchup. Quando aparece, aparece tudo de uma vez."

A zeros também com Mourinho

Melhores foram os arranques em 2014/15 e 2015/16: cinco golos nas três primeiras jornadas que disputou. Há quatro anos, ainda sob o comando de Carlo Ancelotti, marcou mesmo nos 11 primeiros que disputou no campeonato e terminou a prova com um recorde pessoal de 48 golos (35 jogos). Na temporada seguinte, às ordens de Rafael Benítez, ficou em branco com Sp. Gijón e Betis nas duas primeiras jornadas, mas apertou o frasco de ketchup à terceira e marcou cinco golos ao Espanyol e acabou a liga com 35 golos em 36 encontros.

Em 2012/13 e 2013/14, ficou em branco nas duas primeiras partidas, encontrando-se com os golos apenas à terceira tentativa em ambas as ocasiões. Há seis anos, com José Mourinho com treinador, bisou ao Granada ao terceiro jogo e encerrou o campeonato com 34 remates certeiros em outras tantas partidas. Na época seguinte, com Ancelotti, saiu dos três primeiros desafios com apenas um golo apontado, ao Athletic Bilbao, mas terminou o campeonato com 31 em 30 jogos.

Mais produtivos foram os arranques de 2009/10 e 2011/12, com quatro golos nos três primeiros jogos. Porém, pelo meio, houve um arranque em seco em 2010/11, na primeira de três épocas de José Mourinho no Real Madrid. Ronaldo marcou apenas ao quarto jogo, ao Espanyol, depois de ter ficado em branco diante de Maiorca, Osasuna e Real Sociedad, mas ainda assim terminou o campeonato com 40 golos em 34 partidas.

Dybala para servir melhor CR7

O treinador da Juventus, Massimilliano Allegri, não se fia apenas no passado recente do internacional português. Entende que este arranque de Cristiano Ronaldo não é apenas uma questão de momento de forma e quer servir melhor o craque que recrutou ao Real Madrid por 117 milhões. "Temos que encontrar maneiras de servi-lo melhor", disse após o encontro com o Parma, no sábado.

O Gazzetta dello Sport chegou à conclusão que dez dos últimos 11 golos de CR7 pelo Real Madrid foram no interior da área e ao primeiro toque, na conclusão de um passe rasteiro ou de um cruzamento - e o 11.º de grande penalidade. Essa estatística contrasta com a dos primeiros três jogos ao serviço da Juventus, em que oito dos seus 23 remates foram de fora da área.

Olhando para esses dados, Allegri procura a fórmula ideal para ter que Ronaldo esteja no sítio certo, à horta certa e servido por um passe certo. Essa fórmula, dizem em Itália, poderá passar pelo regresso ao onze de Paulo Dybala, que foi suplente não utilizado diante da Lazio e apenas jogou dez minutos frente ao Parma, depois de ter cumprido os 90' no encontro com o Chievo.

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