Ronaldo na Juventus: "Achei que era uma brincadeira", diz diretor desportivo

Fabio Paratici, diretor desportivo da Juventus, conta os pormenores da transferência de CR7 durante as negociações por João Cancelo. Primeira abordagem foi num jogo do Real Madrid com a vecchia signora. Adeptos fizeram música para o português inspirada no bailinho da Madeira (com vídeo).

Passado meio ano desde que Cristiano Ronaldo chegou a Turim, a transferência mais inesperada do futebol mundial ainda tem pormenores que merecem ser contados. Fabio Paratici, diretor desportivo da Juventus, contou à Gazzetta dello Sport como foi a abordagem e como chegaram a acordo durante as negociações por João Cancelo, que também se juntou à Juventus no verão de 2018.

A primeira conversa sobre uma possível transferência aconteceu em abril de 2018 no jogo da Liga dos Campeões. "Quando fomos jogar a Madrid, estava lá o Jorge Mendes, como faz sempre nos jogos da Champions. E eu disse-lhe: "O Cristiano marcou golos incríveis", recordando ainda com admiração e dor o jogo da primeira mão [e o pontapé de bicicleta]. E Jorge Mendes respondeu-me: "Não vais acreditar, mas se mudar, o Cristiano quer ir para a Juventus. É menos estranho do que possas pensar. Mas falamos depois (...) Achei que era uma brincadeira, mas comecei a pensar nisso", contou Paratici,

O diretor da Juve e o empresário português voltaram a encontrar-se depois para "fechar aquele fenómeno que é o Cancelo" e Mendes voltou ao assunto. E "desta vez notava-se que estava a falar a sério", lembrou Paratici: "Lembras-te do outro assunto? Vais ver que Ronaldo vai sair de Madrid. E digo-te claramente: O jogador só quer vir para a Juventus. Já jogou no Manchester United, que é o maior clube inglês, e depois no Real Madrid. Só vai para clubes históricos. Nunca jogou em Itália, quer vencer também o título italiano. Se o quiseres, ele vai."

O diretor da Juve confessou que já esperava pela pergunta e "claro que queria Ronaldo". Por isso a conversa avançou para os números, do salário e da transferência. Fabio Paratici pediu então uns dias para pensar e admite que "não lhe disse não, senão ele teria tentado outro clube".

O passo seguinte foi falar com o presidente do clube. "Agnelli é um empresário, não é apenas um presidente. Ele entende o futebol e quer tornar a Juventus num clube ainda maior. Quando lhe falei no assunto pediu um momento para pensar, precisava de falar com algumas pessoas. Fiquei feliz por não me ter atirado para fora do escritório... À tarde disse-me para lhe apresentar todas as contas porque se fosse como eu estava a dizer, íamos avançar para o negócio", contou o dirigente.

Dois meses depois, o português chegava a Turim ainda com o estatuto de melhor do Mundo. Agora ninguém parece estar arrependido da mudança. O jogador mostrou-se feliz por vestir a camisola do campeão italiano e os adeptos não podiam estar mais contentes com o desempenho de CR7, que além de dar vitórias à equipa é o melhor marcador do campeonato italiano.

Adeptos que até já lhe fizeram uma música que promete entrar no ouvido e que reza mais ou menos assim. "Queria um fora de série/ compraram-me um rei/ com um remate tão forte/ que atravessa as balizas/ Tem o 7 nas costas!!/ De camisolabianconera/ o sonho torna-se realidade/ Cristiano da Madeira..."

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?

Premium

Adriano Moreira

A crise política da União Europeia

A Guerra de 1914 surgiu numa data em que a Europa era considerada como a "Europa dominadora", e os povos europeus enfrentaram-se animados por um fervor patriótico que a informação orientava para uma intervenção de curto prazo. Quando o armistício foi assinado, em 11 de novembro de 1918, a guerra tinha provocado mais de dez milhões de mortos, um número pesado de mutilados e doentes, a destruição de meios de combate ruinosos em terra, mar e ar, avaliando-se as despesas militares em 961 mil milhões de francos-ouro, sendo impossível avaliar as destruições causadas nos territórios envolvidos.