Rogério Alves oficializado como presidente da assembleia geral de Frederico Varandas

Advogado já exerceu funções da MAG no mandato de Soares Franco (2006/09).Primeiro candidato a avançar para as eleições de 8 de setembro apresentou o advogado na inauguração da sua sede de campanha.

Já se sabia e o DN já o tinha noticiado, mas agora é oficial. Frederico Varandas apresentou, esta segunda-feira, Rogério Alves como candidato à presidência da mesa da assembleia-geral do Sporting (MAG). O médico, o primeiro dos quatro candidatos a avançar com uma candidatura às eleições de 8 de setembro, inaugurou a sede de campanha, no centro de Lisboa, e apresentou o conhecido advogado, que já exerceu funções de presidente da MAG entre 2006 e 2009, como triunfo eleitoral.

"Rogério Alves vai ser o presidente dos sócios. Acreditou neste projeto e nesta equipa e temos a mesma visão em dois pontos fundamentais: que o Sporting seja dos sócios e que o clube seja o detentor da SAD", disparou, perante dezenas de apoiantes o ex-médico do plantel leonino.

"Aceitei com entusiasmo este convite pelo meu grande amor ao Sporting e por entender que, se formos eleitos, temos o trabalho importantíssimo de manter os sócios como força motriz indispensável deste clube. (...) Acredito nele [Frederico Varandas] e conheço a sua grande ligação ao Sporting. É um símbolo do Sporting. Teve até este momento no Sporting, competência universalmente reconhecida. Acredito que a competência aliada à lucidez e a uma boa equipa são receitas para o sucesso", salientou Rogério Alves, expressando um desejo : "Gostava muito que o Frederico [Varandas] fosse o presidente da nova era."

E caso venha a ser eleito promete ser motivo de união. "Vamos conseguir ser unidos no interior para sermos imbatíveis para o exterior", defendeu o advogado, que chegou a ser apontado como candidato. Algo que já se tornou habitual, sempre que um presidente deixa o cargo.

Tornou-se presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting em 2006, ao ser eleito nas listas de Filipe Soares Franco. Apontado como putativo candidato à presidência do clube desde 2009, acabou por nunca avançar e voltou a candidatar-se à MAG em 2011, agora nas listas de Godinho Lopes, tendo perdido para Eduardo Barroso.

Nessa altura, mais precisamente na madrugada de 27 de março de 2011, protagonizou um polémico episódio, quando reconheceu publicamente ter cumprimentado Bruno de Carvalho como o vencedor das eleições, numa altura em que também se dizia que ele tinha ganho a corrida para a presidência da Assembleia Geral, o que não se viria a confirmar, pois os vencedores da noite foram Godinho Lopes e Eduardo Barroso.

Falência da SAD

Ler mais

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.