Afinal, texto anónimo no Eurosport sobre Mourinho era uma paródia

Jornalista da Eurosport fez uma paródia, visando o Manchester United e o treinador português de uma peça do The New York Times em que um trabalhador da administração Trump teceu críticas ao presidente norte-americano

Depois de o The New York Times ter publicado uma carta anónima que alguém que trabalha na administração de Donald Trump nos Estados Unidos, um jornalista da Eurosport, Tom Adams, resolveu fazer uma paródia, simulando ter recebido algo semelhante enviado por um membro da administração do Manchester United e que trabalha diretamente com José Mourinho.

A paródia, que foi assumida apenas algumas horas depois pelo autor, correu mundo como se fosse um texto anónimo verídico de um funcionário da administração dos red devils.

Nessa paródia de texto anónimo, eram tecidas duras críticas à personalidade e ao trabalho do treinador português e supostamente revelada uma resistência interna ao técnico setubalense: "Muitos dos altos funcionários do Manchester United estão a trabalhar diligentemente para frustrar partes da agenda e das piores inclinações dele. Eu sei do que falo. Sou um deles", pode ler-se.

"O grande problema de Mourinho é a sua amoralidade. Todos os que trabalham com ele sabem que ele não está a atrelado a nenhum princípio percetível que guie a sua decisão. Além de um desejo insaciável de garantir respeito que ele sente ter conquistado - e uma dedicação para conseguir isso durante muito tempo", é frisado.

"Apesar de ter sido nomeado para liderar em Old Trafford, é um treinador que não tem afinidade com as ideias há muito defendidas pelo United: um estilo ofensivo, extremos ousados e um carisma genuíno. Na melhor das hipóteses, ele ivocou esses ideais; na pior, atacou-os de imediato", prossegue o suposto funcionário dos red devils.

Também criticados foram os "impulsos" do técnico setubalense em lidar com o mercado de transferências: "Além do seu marketing mediático da noção de que a imprensa é o inimigo do povo, os impulsos de Mourinho são geralmente pró-comércio. Ele quis convencer-nos a gastar 80 milhões de libras no Harry Maguire no dia de fecho do mercado. Depois, 35 milhões no Yerry Mina. Depois, 18 milhões no Godín. Basicamente, ele quis qualquer defesa que pudesse agarrar. Coube-me a mim, quer dizer, coube-nos desautorizá-lo."

Nesse texto, é referido que as conquistas da Liga Europa, Taça da Liga e o lançamento de Scott McTominay na equipa principal foram obtidas "apesar - e não por causa - do estilo de liderança dele, que é impetuoso, contraditório, insignificante e ineficaz".

"Olhem para a as suas estratégias de transferências: em público e em particular, Mourinho mostra preferência por autocratas que ganham a bola e homem grandes e fortes, como Matic e Fellaini, demonstrando pouco apreço genuíno pelo tipo de avançado que tem sido o aliado natural do Manchester United durante décadas", escreve o autor, criticando a "determinação em vender um dos melhores jovens atacantes do futebol mundial", Anhony Martial.

"Dada a instabilidade que muitos testemunharam, houve alguns rumores sobre a contratação de Zidane neste verão, o que iniciaria um complexo processo de demissão do treinador. Contudo, ninguém se quis precipitar para uma crise constitucional. Por isso, vamos fazendo o que podemos para direcionar a administração de Mourinho na direção certa até que - de uma forma ou de outra - ela termine", pode ler-se no texto fictício.

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